collab

Nota: Essa é a tradução para o português do post “Collaborative Lesson Development – Why Not?” de Justin Kitzes. A figura anterior não faz parte do post original em inglês.

Algumas semanas atrás, Greg Wilson perguntou-me:

Por que existe tão poucos currículos e planos de aula desenvolvidos de forma aberta e colaborativa? Existe alguma coisa que torna o ensino diferente de programar (e.g., open source software) e escrever (e.g, Wikipedia)?

Depois de uma dúzia de emails, não posso dizer que ficamos próximo de uma resposta definitiva, mas chegamos a uma hipótese e estamos interessados em comentários.

Os três principais ingredientes necessários para o desenvolvimento colaborativa de qualquer tipo de material são:

  1. alguém que fornece a infraestrutura necessária para o projeto,
  2. grupo de pessoas que integrem e gerenciem contribuições, e
  3. contribuidores que produzem o material.

Por exemplo, o desenvolvimento contínuo do IPython requer GitHub, o time principal de desenvolvedores (especialmente Fernando Pérez e Brian Granger), e pesquisadores/programadores capacitados para enviar contribuições. O crecimento da Wikipedia requer a Fundação Wikimedia, o time de administradores, e leitores interessados que saibam como utilizar o editor online.

A falta de planos de aula abertos e colaborativos pode decorrer da ausência de qualquer um desses três fatores. Greg acredita que a grande limitação seja #2: enquanto vários educadores/professores podem escrever e editar planos de aula parece que eles não estão capacitados a gerenciar o desenvolvimento de um material colaborativo. Entretanto, a existência de livros colaborativos sugere que essa não seja uma atividade absurda.

Me voto é que a grande limitação seja #3: potenciais contribuidores necessitam de um certo nível de familiaridade e conforto com as ferramentas que possibilitam trabalhar de forma colaborativa (tais como controle de versão ou editor online). Suspeito que essas habilidades são mais raras em educadores quando comparado a programadores ou leitores da Wikipedia.

Uma interessante excessão é o material desenvolvido pela Software Carpentry. Software Carpentry funciona graças ao GitHub, Greg e um time de colaboradores, e vários instrutores familiarizados com o modelo de pull request presente no GitHub. O uso do GitHub e a familizarização com o mesmo deve-se ao fato de que os contribuidores do material da Software Carpentry são, by design, também pesquisadores e programadores.

Importante, a intervenção necessária para promover o desenvolvimento de materiais colaborativos dependerá de onde o gargalo encontra-se:

  1. Se o problema inicial é a infraestrutura, alguém precisa financiá-la, mantê-la, e (mais importante) divulgá-la em algum website com grande visibilidade. Curriki parece ser uma possibilidade (embora Greg tenha notado que várias iniciativas similares tenham falhado no passado). Uma importante consideração deve ser diminuir as habilidades necessárias para contribuidores à menor quantidade possível (pense em um editor online ao invés do modelo fork/pull utilizado pelo GitHub).
  2. Se o problema inicial é o grupo de pessoas que gerenciem o projeto, um grupo dos atuais líderes na educação precisam ser voluntários ou oferecerem incentivos para aqueles que forem voluntários na tarefa de iniciar o desenvolvimento e gerenciamento de tal material na sua respectiva área. Esse papel pode e deve ser reconhecido como equivalente a ser o editor de um livro publicado.
  3. Se o problema inicial é a falta de contribuidores, treinamentos nas ferramentas colaborativas a serem utilizadas deve ser oferecido para educadores que manifestarem interesse na ideia de desenvolver planos de aula abertos. Embora incentivos podem ser úteis, contribuidores de software de código aberto e da Wikipedia normalmente não recebem compensações diretas pelo seu trabalho.

Ou talvez isso seja um trabalho em andamento e precisemos esperar a próxima geração de educadores (e estudantes).

E isso foi até onde conseguimos chegar. O que você pensa?

MSF e IO piden a Novartis que retire su demanda contra la ley india de patentesNi!

Um excelente artigo publicado em Outras Palavras expõe, através de casos publicamente documentados, como o sistema de patentes, atuando sobre fármacos, incentiva e premia o descaso com testes clínicos e a corrupção de agências reguladoras para acelerar a corrida pelo lucro privado a despeito da vida, entregando drogas sabidamente inseguras para a população.

http://outraspalavras.net/destaques/industria-farmaceutica-mentiras-e-muito-dinheiro/

Infelizmente essa é apenas mais uma perversidade desse sistema, e talvez nem a mais grave se comparada às distorções econômicas e morais que ele perpetua globalmente.

Econômicas, promovendo concentração abusiva, cartéis e um sistema custoso que em última análise impede não só a concorrência como também a inovação que suporia avançar (ver Murray et al. e Boldrin et al.).

Morais, evidentemente negando acesso aos meios para a saúde de bilhões de pessoas.

Nem é preciso apontar os inúmeros esquemas também já expostos de manipulação de artigos científicos para falsificar efeitos de medicamentos (ver Bero et al. e em Science Carreers), suborno de médicos para recomendação de drogas (ver em ProPublica), corrupção de agências reguladoras (ver Lenzer).

O sistema de patentes sobre fármacos requer imediata extinção e implementação de alternativas para pesquisa e desenvolvimento como prêmios, financiamento público, transparência promovendo colaboração e validação etc.

Do jeito que estão, patentes sobre medicamentos – através das práticas de uma indústria farmacêutica baseada na privatização do conhecimento – são crime contra a humanidade.

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Matéria publicada em Outras Palavras com licença Creative Commons Atribuição-CompartilhaIgual.

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Por trás do suposto rigor das publicações “de excelência” pode estar o epistemicídio — a tendência da Academia a sepultar pensamentos dissidentes. Mas há alternativas

Por Alex Martins Moraes

O que a entrega do prêmio Nobel de medicina 2013 e a divulgação dos resultados da avaliação trienal do sistema de pós-graduação no Brasil têm em comum? Além de ambos os eventos terem ocorrido na primeira quinzena de dezembro, eles também convergem, por razões distintas, em outro sentido: representam uma boa oportunidade para repensar e criticar as modalidades vigentes de produção do conhecimento em nosso país.

O biólogo molecular estadunidense Randy Wayne Schekman, que recebeu o prêmio Nobel junto com seus pares James Rothman e Thomas Südhof, aproveitou a visibilidade pública proporcionada pela premiação para instaurar uma forte polêmica com algumas das publicações científicas mais importantes no campo das ciências biológicas. Em coluna publicada no The Guardian um dia antes da cerimônia do Nobel (versão em espanhol publicada pelo El País), Randy Schekman acusou as revistas Nature, Science e Cell de prestarem um verdadeiro desserviço à ciência, difundindo práticas propriamente especulativas para garantirem seus mercados editoriais. Entre estas práticas, Schekman menciona a redução artificial da quantidade de artigos aceitos para publicação, a adoção de critérios sensacionalistas na seleção das colaborações e um total descompromisso com a qualificação do debate científico. Schekman conclui sua intervenção com o seguinte chamado à comunidade científica: “Da mesma forma que Wall Street precisa terminar com o domínio da cultura dos bônus, que fomenta certos riscos que são racionais para os indivíduos, mas prejudiciais para o sistema financeiro, a ciência deve se libertar da tirania das revistas de luxo. A consequência dessa escolha será uma pesquisa que sirva melhor aos interesses da ciência e da sociedade”.

Northern Qi Scholars

Aparentemente refratária a esse tipo de crítica – que, aliás, vem se tornando cada vez mais comum em todas as áreas do conhecimento–, a CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) confere um peso decisivo às publicações em revistas de alto impacto no momento de avaliar o desempenho e a qualidade dos cursos de pós-graduação brasileiros. Para a antropologia, área da qual provenho, a avaliação da CAPES atribui um peso de 40% sobre a nota final à produção intelectual dos docentes de cada instituição. Na prática isto significa que, para atingir os conceitos máximos de avaliação (6 e 7), um determinado programa de pós-graduação deve esperar que todos os seus professores de mestrado e doutorado efetuem – para citar diretamente o roteiro de avaliação da CAPES – “a publicação de resultados de pesquisa, sob a forma de artigos em periódicos científicos, livros e capítulos de livros qualificados, com destacada proporção e média por docente nos estratos A1, A2 e B1 do Qualis Periódicos”. Levando em conta a quantidade de artigos publicados pelos docentes permanentes dos programas de pós-graduação em antropologia mais produtivos no triênio 2010-2012, o “ideal” seria, em média, cerca de duas publicações por ano por docente em revistas indexadas – isto sem mencionar as demais publicações, como livros, capítulos de livros, audiovisuais, relatórios técnicos, etc.

A avaliação da CAPES na área antropologia/arqueologia não leva em conta o fator de impacto das publicações, dado que a maioria das revistas de ciências humanas não dispõe dos meios para quantificá-lo. Neste caso, a classificação dos periódicos nos estratos A1 e A2 exige, entre outras coisas, que eles figurem em indexadores internacionais. Já o estrato B1 requer que figurem em pelo menos dois indexadores, sejam eles internacionais ou não. Outras áreas, como a medicina, adotam diretamente uma classificação elaborada com base na mediana do fator de impacto das revistas, obtidos junto ao Journal Citation Reports (JCR) e calculados anualmente pelo ISI Web of Knowledge. Isto implica o condicionamento da avaliação da produção científica às dinâmicas do mercado editorial internacional, com todas as consequências aventadas por Randy Schekman em seu artigo no The Guardian. Pior ainda, ao aplicar classificações desta ordem, a CAPES enfraquece o próprio parque editorial nacional e favorece uma forma questionável de internacionalizar a produção científica, colocando as revistas mantidas por universidades públicas e entidades de classe em detrimento de periódicos estrangeiros, financiados, em sua maioria, pela iniciativa privada e aferrados aos cânones da propriedade intelectual.

No caso das ciências sociais e humanas, o produtivismo amparado pelas avaliações da CAPES se materializa numa miríade de efeitos preocupantes, alguns deles inesperados. Não me refiro apenas à precarização do trabalho de professores e estudantes ou à perda de organicidade da produção intelectual decorrente da ênfase obsessiva na escrita de artigos e de apresentações para congressos. Talvez o aspecto mais assustador e menos criticado de uma avaliação da pós-graduação inspirada pela ideologia produtivista seja que ela ampara o epistemicídio. O epistemicídio – noção desenvolvida, entre outros, por Boaventura de Sousa Santos – consiste na eliminação ou inferiorização ativa de algumas formas de conhecimento em favor de outras, consideradas mais desejáveis no marco de uma dada estratégia de poder. Por exemplo, a anulação de certos saberes locais, sua folclorização ou deslegitimação pública foi e é uma modalidade de epistemicídio aplicada sobre diversas populações ao longo das experiências coloniais na América, Áfria e Ásia. O produtivismo está a serviço do epistemicídio porque bloqueia ou dificulta seriamente e emergência de outras formas de construção e enunciação do conhecimento em um momento de relativa democratização das universidades públicas brasileiras. Em poucas palavras, o produtivismo compromete a diversidade das formas de fazer ciência e a própria criatividade humana no exato momento em que se converte em critério valorativo hegemônico para a distribuição dos recursos necessários à produção de conhecimento. Ao erigir-se como critério chave de avaliação da relevância da produção intelectual, ele impõe sistemas de hierarquização que só fazem reiterar privilégios epistêmicos de longa data e comutá-los, logicamente, em privilégios político-institucionais. Só as modalidades mais conservadoras e pouco imaginativas de fazer ciência se adaptam, sem grandes problemas, aos atuais imperativos de quantificação. Já os estudos guiados pela co-investigação prolongada e participativa, os amplos panoramas exploratórios, as práticas colaborativas e situadas de escrita científica, etc. não conseguem sobreviver a esses imperativos.

As ciências sociais e humanas hegemônicas, legitimadas pelo produtivismo, marginalizam – ou produzem como inexistentes – outras práticas de produção intelectual; elas impõem seu universalismo abstrato ao pluralismo real dos discursos e das práxis intelectuais vigentes na universidade e fora dela. As instituições encarregadas de produzir conhecimento humanístico manejam orçamentos que, sem serem os mais robustos do sistema universitário brasileiro, não podem, ainda assim, considerar-se insignificantes. Trata-se de orçamentos conformados com dinheiro público acumulado através da cobrança de impostos majoritariamente regressivos a populações empobrecidas. Estes recursos têm sido aplicados, frequentemente, no estímulo de uma dinâmica universitária tendente a afastar estudantes e professores da problematização dos dilemas reais suscitados pela vida democrática em nosso país. Na prática, os chamados “problemas de investigação” acabam sendo inventados nos corredores da academia – ou importados dos debates prestigiosos e “de ponta” do norte global – para serem “resolvidos” no “lado de fora empírico”, com as “pessoas comuns” e depois convertidos em digressões que atendem apenas à agenda editorial vigente no mercado das publicações acadêmicas. Como se não bastasse, o dinheiro público destinado à formação de jovens pesquisadores no exterior é por vezes “investido” na perpetuação da subalternidade epistêmica das academias do sul global mediante editais que reiteram regimes de legitimidade científica diretamente coloniais.

Com a hegemonia da quantificação na elaboração dos sistemas de avaliação científica, cada vez menos a universidade poderá ser concebida como espaço de estímulo ao florescimento de “ciências sociais de outra forma”, baseadas no sentido de responsabilidade e colaboração em pesquisa, no cultivo de vínculos duradouros e qualificados com comunidades e sujeitos e na articulação entre problemáticas investigativas e dilemas socialmente compartilhados. Nossos prestigiosos programas de pós-graduação mais se assemelham organismos autistas, imersos em transe profundo, alheios a qualquer preocupação com a importância social do conhecimento científico. O que parece dinamizar a produção de conhecimento é a própria vontade de produzir racionalizada e eficientemente. Grosso modo: produção pela produção. Eis o círculo virtuoso (ou seria círculo vicioso?) do saber.

O que fazer num cenário em que a quase totalidade da produção de conhecimento promovida pelas ciências sociais e humanas encontra-se submetida a um estandarte geral de avaliação caracterizado pela (in)determinação quantitativa de toda a qualidade? Michael Eisen, professor da Universidade da Califórnia em Berkeley, que reagiu positivamente às criticas levantadas por Randy Schekman nas vésperas da entrega do Nobel, sugere a criação de sistemas alternativos de legitimação das práticas intelectuais. Para ele, todos os cientistas deveriam “atacar o uso das publicações para avaliar os pesquisadores, fazendo-o sempre que possível quando contratarem cientistas para o seu próprio laboratório ou departamento, quando revisarem as solicitações de financiamento ou julgarem os candidatos para uma vaga” (ver matéria no El País). Mais próximos de nós, os estudantes de mestrado em Antropologia Social da UFRGS, que paralisaram suas atividades acadêmicas na primavera de 2011 para questionar o produtivismo e as genealogias institucionais estabelecidas também oferecem uma alternativa: “paremos para pensar”. Esta, que foi a consigna da sua greve, nos alenta com a perspectiva de que a desestabilização da engrenagem produtivista é possível através da conformação de uma ética e de uma prática intelectual alternativa. Ao comentar a greve dos estudantes de Porto Alegre, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos concluiu o seguinte: “O vosso movimento (…) é parte dessa sociologia das emergências, porque é gente que está em busca de uma renovação epistemológica, política e o faz entre si, em pequenos grupos. Certamente os meios de comunicação não noticiaram, certamente não foi útil para o currículo deles ou para o programa de estudos deles, mas estão a emergir outras realidades” (entrevista completa na Tinta Crítica).

Talvez estas práticas “dissidentes” sejam um caminho para explorar novas lealdades e alianças políticas que conduzam a vias alternativas de legitimação da produção intelectual. O desafio, portanto, é erigir espaços profissionais dignos e reconhecidos mais além das aparelhagens institucionais produtivistas, de forma a superar as tentativas de epistemicídio e abrir passagem à proliferação de práticas intelectuais indisciplinadas, ecumênicas e participativas. Assumindo tal postura, corremos o risco de perdermos, num primeiro momento, o aval dos números, dos mercados editoriais e da tecnocracia, mas ganhamos um valioso terreno para construir objetividade e provar a validade dos nossos postulados: a práxis humana. Neste terreno pode vicejar uma ciência sucessora, amparada em novas redes de diálogo em política; uma ciência aberta a programas de investigação nos quais a verdade reside, parafraseando novamente a Boaventura de Sousa Santos, naquele conhecimento “que nos guia conscientemente e com êxito na passagem de um estado de realidade para outro estado de realidade”.

A tarefa parece hercúlea e certamente nem todos os pesquisadores estarão interessados em aceitá-la. Uma coisa, no entanto, é certa: ao desenvolver investigações, emitir laudos de demarcação de terras indígenas, frequentar eventos acadêmicos, escrever textos, produzir imagens, enunciar discursos políticos, etc. os cientistas sociais incorporam e colocam em ato suas disciplinas. E é por esta mesma via que também estão em condições de colocá-las em questão, disputando seus efeitos e funções. Nós podemos, portanto, atuar no registro da reprodução, abastecendo o aparelho disciplinar herdado, ou podemos bloquear a atualização de certas dinâmicas produtivas, exercendo uma reflexão crítica e pragmática a respeito das ferramentas político-institucionais disponíveis à ação transformadora.

Alex Moraes
É antropólogo, realiza estudos de doutorado no Instituto de Altos Estudios Sociales (Buenos Aires) e faz parte da Rede de Antropologia Crítica.

Nota: Este post foi inspirado por esse post de Nina Paley e as imagens foram originalmente publicadas no mesmo post. Para quem não conhece, Nina Paley é uma artista plástica contra o direito autoral e suas obras são licenciadas sob CC-BY ou domínio público.

Propaganda: se você está procurando um presente de natal para alguém, considere esse livro da Nina Paley. É um dos poucos livros não técnicos sob CC-SA que conheço.

Quando falamos de conhecimento livre estamos nos referindo aquele que, dentre outras coisas, podemos repassar aos nossos amigos e cuja única condição aceitável seja citar o autor original. A transmissão do conhecimento livre é maravilhosamente ilustrada na animação abaixo.

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Infelizmente ainda vivemos em um mundo onde a maior parte do conhecimento não é livre, seja por questões financeiras ou pela lei de direitos autorais cuja desobediência pode levar a multas e até prisões. Independente do motivo pelo qual o conhecimento não circula, indivíduos ficam tristes (ver image abaixo).

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Se você também está infeliz com a realidade atual, retire um dos itens da sua lista de resoluções de ano novo participando do próximo encontro mensal da OKF-BR (maiores informações aqui).

Atualização: As apresentações já encontram-se disponíveis no site do Sistema de Bibliotecas da UFMG.

Em um post anterior foi anunciado o I Simpósio sobre Acesso Livre na UFMG e nesse post farei um relato sobre o evento no qual aprendi bastante.

Nota 1: em breve deve ser disponibilizado a gravação do evento no UFMGtube.

Nota 2: em breve atualizo o post com fotos do evento.

Open Acess: oportunidade para a UFMG mostara a produção científica ao mundo

O Professor Pós-Doutor Hélio Kuramoto da UFMG iniciou a primeira parte do evento com uma magnífica apresentação informando sobre o acesso aberto e sua importância.

A bibliotecária Caterina G. Pavão da UFRGS tratou mais profundamente do repositório institucional da UFRGS do Lume que é o maior dentre as universidades federais brasileiras abordando tanto a parte técnica como institucional.

E para terminar a primeira parte do evento apresentei alguns dos desafios ao acesso aberto. Minha apresentação encontra-se disponível aqui (descomprima o arquivo ZIP e abra o arquivo HTML) e espero escrever um pouco mais sobre ela em um outro post.

Repositório Institucional na UFMG; estágio atual de repositórios

A segunda parte do evento foi voltada para a questão de repositórios institucionais cuja principal plataforma utilizada é o DSpace. Foi perguntado o que seria o DuraSpace e a credito que a resposta é uma organização/fundação responsável por manter o DSpace e outros projetos relacionados (ela também oferece serviços).

Essa sessão foi iniciado pelo Professor Doutor Márcio Luiz Buante de Carvalho que apresentou o Laboratório de Computação Científica da UFMG e um dos responsáveis pela infraestrutura de acesso aberto da universidade.

A Professora Pós-Doutora Maria Aparecida Moura falou sobre os vários projetos da universidade que encontram-se sobre a marca do Colaboratório Digital UFMG.

Por último, a bibliotecária da BU da UFMG Belkiz Costa relatou o trabalho de arquivamento das dissertações e teses da universidade, os problemas enfrentados e como foram resolvidos

Editoração Científica na UFMG: experiências diversas

A última parte do evento tratou de periódicos produzidos dentro da universidade. O software mais utilizado para o gerenciamento dos periódicos no Brasil é o SEER (a versão fornecida pelo IBICT do Open Journal Systems) e em alguns casos uma “consultoria” como do GN1.

A sessão foi iniciada pela Professora Doutora Terezinha de Fátima Carvalho de Souza que apresentou a história da Perspectivas em Ciência da Informação.

Depois a bibliotecária Rosângela Maria Costa Bernardino, coordenadora da Biblioteca da Faculdade de Letra e representando o Professor Doutor Luiz Francisco Francisco Dias, falou sobre os periódicos da Faculdade de Letras da UFMG. Gostei de conhecer o projeto Viva Voz sendo que teria ficado mais feliz se o material estivesse sob uma licença aberta (CC-BY ou CC-BY-SA).

Posteriormente a Editora Executiva Maria Piedade Fernandes Ribeiro Leite apresentou as várias revistas da área da saúde mineira.

Por último, o Professor Doutor Márcio Luiz Bunte de Carvalho falou sobre os esforços para criação do portal de periódicos científicos da UFMG que envolve o mapeamento dos jornais existentes e migração ou integração dos mesmos.

Agradecimentos

Agradecimentos a todos que participaram da organização desse evento, em especial para Carla Pedrosa.

Este post é uma tradução desse outro post (CC-BY) originalmente publicado por Greg Wilson em 17/10/2013 no blog da Software Carpentry. Texto entre colchetes são notas de tradução.

Como parte do “Mozilla Summit” algumas semanas atrás, John Jensen apresentou um relatório sobre a saúde da “open web”. Os detalhes são fascinantes e foram sumarizados no gráfico abaixo mostrando as várias camadas de abertura da qual dependemos. Eu [Greg] vou reproduzí-lo na esquerda e sumarizar minha visão como está a ciência aberta nas mesmas camadas na direita:

Open Web
Escolha
e
Controle
do Usuário
Atividade
Social
Atividade
Economia
Confiança
Diversidade de serviço
Inovação
Liberdade de conteúdo
Interoperabilidade
Acesso
Ciência Aberta
Escolha
e
Controle
do Usuário
Atividade
Social
Atividade
Economica
Confiança
Diversidade de serviço
Inovação
Liberade de Conteúdo
Interoperabilidade
Acesso

Aqui encontra-se a análise de Jensen (baseada em toneladas de dados) e a minha [do Greg] (que é basicamente minha opinião) de baixo para cima:

Área Open Web   Ciência Aberta
Acesso Um terço da população mundial possui acesso regular à internet e apenas 2% vivem em países que estão quase completamente desconectados (Cuba, Iran, Coreia do Norte e Uzbequistão). Por outro lado, apenas um décimo dos norte-americanos com necessidades especias utilizam a internet. Embora a grande disponiblidade de acesso à internet em países desenvolvidos e de um crescimento em outros países, até mesmo o mais bem financiado grupo de pesquisa ainda encontra barreiras para acessar conteúdo e dados. Pessoas estão trabalhando em todos os níveis para mudar isso, mas existe muito a ser feito.
Interoperabilidade Navegadores web modernos são bastante compatíveis entre si. Serviços voltados para cientístas normalmente não falam entre si.
Liberade de Conteúdo Covernos estão tentando controlar quem pode ver o que, mas ainda temos certa grande liberdade para ler, ver e dizer o que queremos.

(Nota: quando questionado, Jensen disse que este camada talvez devesse ser amarela para refletir o aparecimento de jardins cercados e DRM.)
Até pesquisadores renomados e instituições capitalizadas [não encontrei uma boa tradução para “well-funded”] possuem dificuldade em acessar a pesquisa de seus pares devido a barreiras financeiras e outros bloqueios utilizados pelos fornecedores de conteúdo.
Inovação A maior parte ocorreu na área de aparelhos celulares e tablets nos últimos anos. Inúmeras idéias e serviços tem aparecidos nos últimos anos, e não existe sinais de que isso irá dinimuir.
Diversidade de
Serviços
Diversidade diminui quando você aproxima-se do topo da pilha. Por exemplo, a web não é controlada por uma única operadora de rede, mas utilizamos apenas três sistemas operacionais e apenas o serviço de redes sociais e ferramentas de busca são dominados por apenas uma empresa cada um dos serviços. Diversidade dinimui próximo do fim da cadeia de publicação: existem muito mais pontos para coleta de dados do que arquivos usáveis, e algumas poucas grandes empresas possuem a mesma força na área de publicação que Apple, Google, Facebook, e Amazon possuem na web.
Escolha e
Contrle
do Usuário
Várias opções para desktop, mas celulares e tablets são dominados pelo Safari e produtos relacionados com a versão móvel do Firefox possuem apenas uma pequena fatia do mercado. Mais importante, talvez, os usuários não possuem controle de suas identidades: Facebook, Google e Yahoo! possuem. Ninguém domina a ciência na web da mesma forma que Apple, Google e Facebook dominam a web de uma forma geral.
Atividade
Social
De um lado, Facebook consome 83% do tempo “social” online dos usuários. Do outro lado, legislações como SOPA e PIPA são repetidamente derrubadas. O lado social da ciência ainda é fortemente conduzida presencialmente em conferências.
Atividade
Economica
Comércio online possui a maior fatia, seguido por propaganda que constitui algo próximo de um monopólio. O mercado de coisas científicas como a revisão/publicação de artigos é hoje quase que totalmente conduzida pela internet, mas a maioria dos softwares e serviços são caixas pretas controlada por um número reduzido de empresas.
Confiança A internet e mídia social é a 25ª das 25 indústrias nas quais as pessoas confiam, depois de bancos e linhas aéreas. A grande maioria dos cientistas confiam no trabalho dos seus pares, o que é evidenciado pelo fato de que eles não requistam o compartilhamento de dados e códigos para o processo de revisão ao qual são submetidos. Isso não é necessariamente uma boa coisa…

Esta análise mostra porque tantas pessoas trabalhando em prol da ciência aberta estão focadas em mudanças institucionais para abrir o conteúdo, e mudanças técnicas para que as ferramentas hoje presente possam conversar uma com as outras. Nossa missão para os próximos anos é ajudar os cientistas a adquirirem as habilidades e ferramentas necessárias para fazerem seu trabalho.

Atualização em 04/11/2013: Os slides das apresentações encontram-se disponíveis no slideshare.

Nota 1: Este post corresponde a uma tradução do anterior que encontra-se em inglês.

Nota 2: As opiniões presentes neste post não representam o grupo de trabalho em Ciência Aberta como um todo.

Nos dias 6 e 7 de Outubro ocorreu a 4ª CONFOA (Conferência Luso-Brasileira sobre Acesso Aberto) a partir da qual eu gostaria de levantar alguns tópicos para debate.

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Na conferência tivemos várias apresentações sobre acesso aberto, dados abertos, repositórios institucionais, direitos autorais, …, mas eu consigo lembrar de apenas DUAS apresentações cujos slides estava marcados com uma licença aberta:

  • Disponibilidad en acesso aberto de la produccion científica de los países de África lusófona. Martins Fernando Cuambe and Gema Bueno de la Fuente.
  • Cross-Ref, DOI (Digital Object Identifier) e serviços: Estudo comparativo luso-brasileiro. Edilson Damasio.

Então slides é um tipo de conteúdo que não deve ser aberto?

Nas recomendações de Budapest encontramos a definição abaixo para acesso aberto (tradução e destaque pelo autor deste post):

Por “acesso aberto” da literatura científica revisada por pares, nós entendemos que ela encontra-se livremente disponível ao público da internet, permitindo qualquer um lê-lo, baixá-lo, copiá-lo, distribuí-lo imprimí-lo, fazer busca nele, ou criar links para o texto completo desses artigos, utilizá-lo para produção de índices, passá-lo como informação/entrada para um programa de computador (software), ou utilizá-lo para qualquer outro propósito legal, sem barreiras financeiras, legais ou técnicas outras que não inseparáveis da obtenção do acesso da internet. A única restrição para a reprodução e distribuição, e a única regra para o direito autoral neste domínio, de ser dar ao autor o controle sobre a integridade do seu trabalho e o direito de ser adequadamente reconhecido e citado.

No Brasil, muitos chamam de documentos “abertos” aqueles que podemos apenas ler. Na minha opinião, devemos começar a chamar esse tipo de documento apenas de acesso grátis para evitar mal entendidos.

Também no Brasil, as pessoas gostam de utilizar as licenças Creative Commons com a condição de uso não comercial. Pedi ao senhor Marcos Alves de Souza do Ministério da Cultura por uma definição de uso comercial e ele disse que tal não existe. Desta forma e na minha opinição, uma vez que não consiguimos fazer uma diferença clara do que é uso comercial devemos parar de utilizar a condição de uso não comercial das licenças Creative Commons pois o uso dessa restrição apenas atrasa o processo de inovação como foi dito várias vezes na conferência.

Updated in 2013/11/04: Some of the slides are available at slideshare.

Note: The opinion in this post aren’t from the work group in Open Science as a hole.

In 6th and 7th of October happen the 4th CONFOA (Portuguese-Brazilian conference about Open Access) from it I would like to rise three topics to debate.

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The conference have lots of presentations about open access, open data, institutional repository, copyright, …, but I can only remember of TWO presentations that the slides have a free license:

  • Disponibilidad en acesso aberto de la produccion científica de los países de África lusófona. Martins Fernando Cuambe and Gema Bueno de la Fuente.
  • Cross-Ref, DOI (Digital Object Identifier) e serviços: Estudo comparativo luso-brasileiro. Edilson Damasio.

So presentations are one type of content that should NOT be open?

From the Budapest recommendations we have the following definition of open access (boldface from the author of this post):

By “open access” to [peer-reviewed research literature], we mean its free availability on the public internet, permitting any users to read, download, copy, distribute, print, search, or link to the full texts of these articles, crawl them for indexing, pass them as data to software, or use them for any other lawful purpose, without financial, legal, or technical barrier other than those inseparable from gaining access to the internet itself. The only constraint on reproduction and distribution, and the only role for copyright in this domains, should be to give authors control over the integrity of their work and the right to be properly acknowledged and cited.

In Brazil, most of the called “open” documents ONLY permit the reading. In my humble opinion, we must start calling this type of document “free beer” access to avoid misunderstandings.

Here in Brazil, people like to use the Creative Commons licenses with the noncommercial clause. I asked Marcos Alves de Souza from brazilian’s ‘Ministério da Cultura” for a definition of noncommercial use and he say that it doesn’t exist. So in my humble opinion, once we can’t make clear what is noncommercial we should stop using the noncommercial clause of Creative Commons because the use of this clause only slow the innovation as say, many times, in the conference.

Nota: Este post é baseado no post “Publishing scientific software matters”, de Gaël Varoquaux, e no artigo “Publishing scientific software matters”, de Christophe Pradal, Gaël Varoquaux e Has Peter Langtangen.

Cada vez mais softwares estão desempenhando papel fundamental na produção científica, seja transformando um modelo teórico em simulações, controlando experimentos ou filtrando dados para serem analisados. Infelizmente algumas coisas precisam ser melhoradas.

O primeiro problema é que várias pesquisas e softwares são construídos em cima de ferramentas proprietárias como Matlab e Mathematica, de forma que só é possível revisar a pesquisa e o software após adquirir tais ferramentas.

Uma das vantagens de modelar um problema matematicamente é que assim fica mais fácil procurar por uma forma de resolvê-lo que já tenha sido bastante estudada. De forma semelhante, seria interessante poder utilizar um software já existente ou adaptá-lo para resolver o problema desejado devido a sua estrutura matemática. Infelizmente grande maioria dos softwares são escritos direcionados para problemas específicos de forma que reusá-lo não é uma tarefa fácil, o que é o segundo problema.

O terceiro problema é que muitos dos softwares não encontram-se disponíveis publicamente sendo necessário contactar os autores para adquirir uma cópia quando eles podem fornecê-la. Quando falamos de ciência estamos indiretamente falando de resultados reprodutíveis, então “se não é aberto e verificável por outros, então não é ciência, ou engenharia, ou qualquer que seja o nome pelo qual você chama o que fazemos” (tradução literal de citação anônima presente em “The scientific method in practice: reproducibility in the computational sciences ” de V. Stodden.)

Espero que em breve consigamos resolver estes problemas.