Ni! No dia 9 de abril de 2021 celebrou-se o aniversário do falecimento do querido Jonathan Tennant. Um belíssimo vídeo com tributos, reflexões e reunindo palestras do Jon foi produzido com a colaboração da Open Science TV.

O memorial incluiu uma gravação da sua palestra “Open science is just good science” (link direto para o momento de início no vídeo / vídeo alternativo só com a palestra) que é uma das mais claras, incisivas, abrangentes e divertidas apresentações sobre Ciência Aberta já gravadas. Uma obra de arte.

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Como sustentar financeiramente as atividades de ciência cidadã no Brasil?

Quais as plataformas e tecnologias disponíveis e mais apropriadas? Qual a infraestrutura necessária?

Como engajar e reter cientistas cidadãos ao mesmo tempo levando em consideração questões éticas?

Essas são algumas das questões que serão debatidas no I Workshop da Rede Brasileira de Ciência Cidadã.

A ciência cidadã é uma abordagem de pesquisa científica que vem ganhando visibilidade no Brasil e o evento estabelecerá, a partir da conversa com especialistas nacionais e internacionais, algumas das bases para o funcionamento da Rede Brasileira de Ciência Cidadã, a qual será oficialmente lançada durante o evento.

http://www.iea.usp.br/eventos/i-workshop-ciencia-cidada

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Fisher, H. Son and Co; George Arnald; J. LePetit, Domínio público, Wikimedia Commons

Ni! Chamo atenção para um artigo de Olof Hallonsten que acaba de ser publicado na revista Social Science Information, onde apresenta de forma enriquecedora um debate profundo e necessário:

Stop evaluating science: A historical-sociological argument

Although science has been a formidably successful force of social and technological development in the modern era, and a main reason for the wealth and well-being of current societies compared to previous times, a fundamental distrust characterizes its current status in society. According to prevalent discourse, science is insufficiently productive and in need of stricter governance and bureaucratic management, with performance evaluation by the means of quantitative metrics as a key tool to increase efficiency. The basis of this notion appears to be a belief that the key or only purpose of science is to drive economic growth, or sustainable development in combination with economic growth. In this article, these beliefs are analyzed and deconstructed with the help of a theoretical toolbox from the classic sociology of science and recent conceptualizations of economization, democratization, and commodification of scientific knowledge and the institution of science, connecting these beliefs to broader themes of market fundamentalism and to the metric fixation of current society. With the help of a historical-sociological analysis, this article shows that the current ubiquity of performance evaluation in science for the most part is pointless and counterproductive, and that this state of science policy is in dire need of reevaluation in order to secure science’s continued productivity and contribution to social and technological innovation.

No editorial da mesma edição, os editores da revista fazem uma chamada para reações curtas (até 2.000 palavras) ao artigo de Olof.

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Aqui estão três artigos que dão notícias de uma história muito triste:

Sci-Hub: Scientists, Academics, Teachers & Students Protest Blocking Lawsuit

Judge: Sci-Hub Blocking Case “Important” For Science, Community Representations Will Be Heard

Sci-Hub Founder Criticises Sudden Twitter Ban Over Over “Counterfeit” Content

Em poucas palavras, Elsevier, Wiley e a American Chemical Society (ACS) decidiram que o meio da pandemia de Covid-19 é o momento acertado para entrar com uma ação para bloquear o Sci-Hub num país pobre e vulnerável. E, ao que tudo indica, também pressionaram e conseguiram que o Twitter bloqueie a conta do site – Twitter que, por sinal, cedeu sem titubear.

O agravante da pandemia vem em vários sentidos pois: cientistas precisam de acesso à literatura mais do que nunca para lidar com o problema; médicos nem se fala, e a maioria das instituições de saúde não tem como pagar acesso; muitos pesquisadores estão em home-office, de forma que mesmo quem teria acesso pela universidade está com esse acesso dificultado, se não impossibilitado; grandes números de grupos cidadãos mobilizados para contribuir aos esforços científicos dependem do Sci-Hub; para não falar de cidadãos buscando se manterem informados e melhor combater falsidades.

E não venham falar que alguns periódicos tem liberado acesso à literatura sobre Covid, isso é uma grande cortina de fumaça, o acesso liberado não dá conta de nem 1% da literatura relevante, como aponta bem Peter Murray Rust neste texto.

Incongruência e vergonha para a comunidade científica.

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Ni!

A Comissão Européia anuncia para março a inauguração da plataforma de publicação Open Research Europe, que será colocada à disposição de projetos de pesquisa financiados por ela. Dois fatos interessantes: revisão por pares aberta, e publicação sem taxas.

Ao mesmo tempo, após um período de testes que começou em maio, a eLife anuncia sua transição para um modelo de “publicar, depois revisar”, onde a revista irá apenas revisar preprints, e focar na produção de revisões de alto nível que serão tornadas públicas junto aos preprints.

Esses movimentos podem representar um grande passo adiante tanto nos modelos econômicos de publicação científica, como de revisão por pares !

Abraços,

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Ni!

Foi publicado este mês um mini-documentário com entrevistas e recortes dos principais momentos do TECNOx 4.0, quarta edição deste encontro latino-americano de desenvolvedores e usuários de tecnologias livres. O encontro ocorreu em Porto Alegre em 2019, organizado pelo CTA da UFRGS, e com o tema Ética, direitos humanos e tecnologias livres.

Vale assistir! Outros conteúdos do evento estão também sendo carregados no canal do TECNOx no Youtube.

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Boas notícias numa mensagem do Prof. Jorge Machado para a lista cienciaaberta:

Esta semana, através do esforço da OKBR em elaborar pedidos de informação e recursos em várias instâncias com base na Lei de Acesso à informação, foi possível obter o dicionário de dados completo da Plataforma Lattes, que pode ser baixado neste link https://drive.google.com/file/d/1ivj9_fZREh34DVObV18jml7m2hx4CCV9

Esta foi uma vitória importante e é uma ótima notícia para quem já trabalhava com dados da base, mas sem ter a estrutura dela… O próximo passo é abrir a base completa, enfrentando o interesse de atores privados que fazem uso comercial da mesma…

Mais informações sobre o tema, sobre os pedidos de informação, recursos e re-recursos com o CNPq, incluindo pistas sobre o que estaria por trás de tamanha resistência à abertura dos dados, podem ser acessadas a partir desta página na Wikiversidade, que já se encontra atualizada:

https://pt.wikiversity.org/wiki/Base_Lattes

Abraço!

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