A ideia de que o conhecimento científico, de todos os tipos, deve ser compartilhado abertamente tão cedo quanto praticável no processo de descoberta. —Michael Nielsen

Dia 11 de março, em sequência a um workshop da OECD sobre Ciência Aberta, a Polônia receberá a conferência “Opening science to meet future challenges”.

Dentre os temas estão formas abertas de acesso a artigos, dados científicos, cadernos de pesquisa, licenças, mandatos e revisão por pares.

Trabalhos serão aceitos até 31 de Janeiro. Mais informações neste post e neste documento.

Abs!

No ano passado a Fundação Mozilla lançou o projeto Web Science (veja o anúncio aqui) com o objetivo de ter maior participação no movimento de ciência aberta cujo maior pilar é a web livre pela qual a Fundação Mozilla tem lutado desde seus primeiros momentos.

Nos poucos meses de existência do projeto, já ocorreram duas chamadas comunitárias, uma em novembro e a outra em dezembro, e a terceira é nessa quinta-feira (se tiver interesse em participar veja as instruções na wiki do projeto).

Atualmente, os esforços da comunidade envolvida no projeto estão direcionadas nos seguintes tópicos:

Estes tópicos estão começando a aparecer nos debates relacionados a ciência aberta, agora que a questão do acesso aberto encontra-se mais solidificada, e são bastante importante pois é com base neles que a próxima geração de pesquisadores irá (ou não) se comunicar.

Nota 1: Este post é uma tradução desse outro post publicado no blog do grupo de trabalho em educação aberta da OKF pela Marieke Guy

Nota 2: Este post foi publicado simultaneamente no blog da OKFN Brasil.

Em 20 de Janeiro, como parte do Dia da Educação Livre, o Open Education Handbook> será traduzido para o português. A tradução será liderada por Raniere Silva (da Open Knowledge Foundation Brasil), Tel Amiel (do Grupo de Trabalho em Educação Aberta da UNICAMP) e Ricardo Panaggio (membro da comunidade Mozilla Webmaker), com o suporte do Grupo de Trabalho em Educação Aberta da OKF. A tradução será conduzida na Casa de Cultura Digital de Campinas e é aberta a todos os interessados (inclusive de forma remota).

O Dia da Educação Livre é um comemoração internacional pelos recursos educacionais abertos/livres. Maiores detalhes encontram-se nesse post de Pockey Lam, o Vice Presidente da Fundação de Liberdade Digital.

A tradução ocorrerá das 11h às 19h GMT (das 9h às 17h no horário de Brasília) do dia 20 de Janeiro (dois dias depois do Dia da Educação Livre) – maiores detalhes estão disponíveis na Wiki do EFD. O plano é exportar o handbook do Booktype e utilizar ferramentas abertas para organizar a tradução. Estará sendo utilizado o Translate Toolkit para converter os arquivos HTML para PO (um formato utilizado em traduções) e o Transifex para tradução dos arquivos PO que ao final serão convertidos novamente para HTML. O último passo é enviar os arquivos HTML com a tradução para o Booktype. Planeja-se que parte da tradução seja reaproveitada em outros materiais sobre educação aberta.

efd

Se você está interessado em ajudar na tradução e mora próximo de Campinas/São Paulo/Brasil você pode aparecer no dia, caso contrário envie um email para Raniere em raniere@riseup.net para obter maiores detalhes.

Se desejar traduzir o handbook para outra língua podemos ajudar nesse trabalho também, apenas envie um email ou adicione um comentário.

e-Science

Fonte: Agência FAPESP

A FAPESP lançou chamada de proposta que inaugura o Programa FAPESP de Pesquisa em eScience.

Essa primeira chamada de proposta, que encerra em 28 de abril de 2014, visa apoiar projetos relevantes que envolvam modelos matemáticos, repositórios digitais e gerenciamento de dados, novos hardwares, softwares, protocolos, ferramentas e serviços, voltados para atender demandas de pesquisas nas áreas de ciências agrárias; artes, humanidades e ciências sociais; engenharia e física, clima e ciências da terra, e à prática e educação em eScience.

A ideia de associar pesquisa sobre infraestrutura de dados a outros domínios do conhecimento busca solucionar o que hoje se transformou em um importante gargalo da pesquisa científica: o desafio de organizar, classificar, selecionar, compartilhar e garantir acesso ao gigantesco volume de dados gerados nos últimos anos em todas as áreas, cruzar dados e variáveis diversas e possibilitar análises mais abrangentes.

“Em função disso, o mundo está se organizando de maneira diferente”, diz Marcondes César, membro da coordenação adjuntada área de Ciências Exatas e Engenharias da FAPESP. A Universidade de Harvard, por exemplo, criou em 2005 o Institute for Quantitative Social Science (IQSS), uma comunidade interdisciplinar de pesquisadores constituída com a missão de desenvolver ferramentas estatísticas e computacionais amplamente acessíveis, para fazer análises em ciências sociais e contribuir para a compreensão e solução dos grandes problemas que afetam a sociedade e o bem-estar das populações.

O IQSS organiza programas científicos apoiados por plataformas de tecnologia e vinculados a oportunidades educacionais e promove a colaboração entre professores, alunos e funcionários, ao mesmo tempo em que oferece a infraestrutura que apoia a investigação. Um desses programas, por exemplo, utiliza tecnologia e dados digitalizados em uma grande investigação sobre a história global das eleições desde o século 19.

A eScience também é base para a pesquisa colaborativa e em rede. “O LHC [Large Hadron Collider] – o maior acelerador de partículas do mundo –, por exemplo, gera resultados que são processados por pesquisadores em todo o mundo. Algumas de suas áreas já montaram estruturas baseadas em dados”, disse Marcondes César.

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Nota: Este post foi inspirado por esse post de Nina Paley e as imagens foram originalmente publicadas no mesmo post. Para quem não conhece, Nina Paley é uma artista plástica contra o direito autoral e suas obras são licenciadas sob CC-BY ou domínio público.

Propaganda: se você está procurando um presente de natal para alguém, considere esse livro da Nina Paley. É um dos poucos livros não técnicos sob CC-SA que conheço.

Quando falamos de conhecimento livre estamos nos referindo aquele que, dentre outras coisas, podemos repassar aos nossos amigos e cuja única condição aceitável seja citar o autor original. A transmissão do conhecimento livre é maravilhosamente ilustrada na animação abaixo.

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Infelizmente ainda vivemos em um mundo onde a maior parte do conhecimento não é livre, seja por questões financeiras ou pela lei de direitos autorais cuja desobediência pode levar a multas e até prisões. Independente do motivo pelo qual o conhecimento não circula, indivíduos ficam tristes (ver image abaixo).

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Se você também está infeliz com a realidade atual, retire um dos itens da sua lista de resoluções de ano novo participando do próximo encontro mensal da OKF-BR (maiores informações aqui).

Nota: agradecimentos ao Rafael Pezzi pelo texto sobre o CTA.

Na minha apresentação no I Simpósio sobre Acesso Livre na UFMG eu utilizei a figura abaixo como ponto de partida.

Ilustração dos pilares da Ciência Aberta: constituição, tecnologia, treinamento e comunidade.

O que desejava ilustrar é a importância da tecnologia disponível, da prática no uso dessa tecnologia e da comunidade envolvida(na figura sob o nome social), todos respaldados pela constituição, para o sucesso da Ciência Aberta.

CTA

O CTA é um exemplo de contribuição nesses três pilares. Ele tem como objetivo o desenvolvimento de projetos científicos e tecnológicos compatíveis com o compartilhamento de conhecimento, natural do espírito científico, fomentando o desenvolvimento e adoção de tecnologias livres e recursos educacionais abertos. Visa definir novos padrões nos modos nos quais o conhecimento gerado na universidade seja difundido e utilizado pela sociedade, buscando autonomia e governança para os usuários e desenvolvedores de tecnologia.

A fim de diminuir as barreiras para a livre circulação de conhecimento, a adoção de licenças permissivas, formatos de dados abertos e ferramentas livres capazes de lê-los, interpretá-los e modificá-los são essenciais. A partir desta perspectiva, o CTA busca criar, desenvolver e adotar ferramentas livres para o uso e desenvolvimento do conhecimento. Faz isto aplicando princípios de Ciência Aberta e Recursos Educacionais Abertos para projetos de ensino, pesquisa e extensão da universidade. No CTA busca-se adotar práticas para desenvolvimento de projetos onde as etapas intermediárias do progresso do projeto são registradas em sistemas de controle de versão a fim de facilitar a continuidade dos projetos, e dos estudos a eles relacionados, a inclusão de novos colaboradores e da criação de derivações (forks) do projeto original.

Um dos projetos de destaque é o da Estação Meteorológica Modular, que busca criar uma rede de monitoramento meteorológico e ambiental em escolas através da instalação e manutenção destas estações pelos próprios alunos e professores.

Atualização: As apresentações já encontram-se disponíveis no site do Sistema de Bibliotecas da UFMG.

Em um post anterior foi anunciado o I Simpósio sobre Acesso Livre na UFMG e nesse post farei um relato sobre o evento no qual aprendi bastante.

Nota 1: em breve deve ser disponibilizado a gravação do evento no UFMGtube.

Nota 2: em breve atualizo o post com fotos do evento.

Open Acess: oportunidade para a UFMG mostara a produção científica ao mundo

O Professor Pós-Doutor Hélio Kuramoto da UFMG iniciou a primeira parte do evento com uma magnífica apresentação informando sobre o acesso aberto e sua importância.

A bibliotecária Caterina G. Pavão da UFRGS tratou mais profundamente do repositório institucional da UFRGS do Lume que é o maior dentre as universidades federais brasileiras abordando tanto a parte técnica como institucional.

E para terminar a primeira parte do evento apresentei alguns dos desafios ao acesso aberto. Minha apresentação encontra-se disponível aqui (descomprima o arquivo ZIP e abra o arquivo HTML) e espero escrever um pouco mais sobre ela em um outro post.

Repositório Institucional na UFMG; estágio atual de repositórios

A segunda parte do evento foi voltada para a questão de repositórios institucionais cuja principal plataforma utilizada é o DSpace. Foi perguntado o que seria o DuraSpace e a credito que a resposta é uma organização/fundação responsável por manter o DSpace e outros projetos relacionados (ela também oferece serviços).

Essa sessão foi iniciado pelo Professor Doutor Márcio Luiz Buante de Carvalho que apresentou o Laboratório de Computação Científica da UFMG e um dos responsáveis pela infraestrutura de acesso aberto da universidade.

A Professora Pós-Doutora Maria Aparecida Moura falou sobre os vários projetos da universidade que encontram-se sobre a marca do Colaboratório Digital UFMG.

Por último, a bibliotecária da BU da UFMG Belkiz Costa relatou o trabalho de arquivamento das dissertações e teses da universidade, os problemas enfrentados e como foram resolvidos

Editoração Científica na UFMG: experiências diversas

A última parte do evento tratou de periódicos produzidos dentro da universidade. O software mais utilizado para o gerenciamento dos periódicos no Brasil é o SEER (a versão fornecida pelo IBICT do Open Journal Systems) e em alguns casos uma “consultoria” como do GN1.

A sessão foi iniciada pela Professora Doutora Terezinha de Fátima Carvalho de Souza que apresentou a história da Perspectivas em Ciência da Informação.

Depois a bibliotecária Rosângela Maria Costa Bernardino, coordenadora da Biblioteca da Faculdade de Letra e representando o Professor Doutor Luiz Francisco Francisco Dias, falou sobre os periódicos da Faculdade de Letras da UFMG. Gostei de conhecer o projeto Viva Voz sendo que teria ficado mais feliz se o material estivesse sob uma licença aberta (CC-BY ou CC-BY-SA).

Posteriormente a Editora Executiva Maria Piedade Fernandes Ribeiro Leite apresentou as várias revistas da área da saúde mineira.

Por último, o Professor Doutor Márcio Luiz Bunte de Carvalho falou sobre os esforços para criação do portal de periódicos científicos da UFMG que envolve o mapeamento dos jornais existentes e migração ou integração dos mesmos.

Agradecimentos

Agradecimentos a todos que participaram da organização desse evento, em especial para Carla Pedrosa.

Na última segunda-feira, 18/11/2013, ocorreu a Conferência Satélite da Berlim 11 para Jovens Pesquisadores que além de jovens pesquisadores de vários países (mais de 30) contou com palestras de grandes nomes do movimento de acesso aberto como Heather Joseph e Cameron Neylon.

publico

Nesse post anterior foi divulgado um estudo de que daqui a dois anos 50% das publicações estaram disponíveis gratuitamente. Na conferência foi apresentada uma projeção (ver figura abaixo) em relação ao Acesso Aberto de Ouro (os artigos são revisado por pares) e a expectativa é que nos próximos 5 anos mais de 90% das publicações sejam em acesso aberto.

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Sobre as palestras

A programação da conferência encontra-se disponível aqui e alguns dos destaques foram (em ordem cronológica):

  • Heather falando como podemos ajudar o movimento,
  • Iryna Kuchma mostrando as iniciativas existentes na América Latina, China e Índia.
  • Cameron com seu ótimo slide inicial informando sobre a licença dos slides e o que ela significa (também foi aprensentado a agenda européia)
  • Bernard sobre como motivas professores/pesquisadores a publicar seus trabalhos em acesso aberto baseado na experiência da University of Liège e seu repositório (Nota do autor: Esse tópico merece um post),
  • Mike explicando porque classificação/ranking de periódicos é algo do passado e deve ser abandonado (Nota do autor: Esse tema merece um post)
  • Mark sobre a incorporação nos artigos de imagens de alta-definição, vídeos, código fonte, …. e
  • Alek sobre recursos educacionais abertos porque apenas artigos não é suficiente.

Sobre o Workshop

Ocorreram quatro workshops sobre:

O Open Access Button é uma extensão para o web browsers para marcação de artigos que requerem pagamento para serem lidos.

Também foi anunciado o P2P Science Alliance que é um projeto para identificar as colaborações nos projetos de pesquisas.

Agradecimentos

Agradecimentos a toda a equipe que tornou esssa conferência um enorme sucesso.

equipe

Marcado com:

Foi divulgada a programação do I Simpósio sobre o Acesso Livre na UFMG.

NOTA: O motivo desse post ser curto e não conter figuras é a incompatibilidade da licença utilizada nesse blog (CC-BY) e a utilizada na divulgação do evento (no caso ausência de uma licença aberta). Já fiz contato com os organizadores do evento para tentar resolver essa questão.

Ni!

Outro dia levantou-se na lista de discussão do grupo o assunto de “cadernos de pesquisa abertos”, que são uma forma de compartilhar o processo de pesquisa para produzir um registro detalhado e permitir novas formas de colaboração, tanto em seu curso como no reuso futuro. Este post reproduz algumas dicas compartilhadas a respeito!

Gostaria de indicações de boas práticas para um caderno de laboratório (lab notebook) aberto.

Hand-drawn notebooks

Atualmente é mais fácil encontrar orientações e exemplos em inglês do que português. O termo usual em inglês para descrever essa prática é “Open Notebook Science” (ONS) e uma busca pelo termo gera uma cascata de resultados.

1. Uma referência útil, não surpreendentemente, é a própria Wikipédia anglófona:

https://en.wikipedia.org/wiki/Open_notebook_science

Além dos fatos e da discussão, o artigo tem links para vários “open notebooks”. Fica a tarefa de traduzir esse artigo para a lusófona!

2. Aqui tem um minicurso sobre Open Notebook Science:

http://scifundchallenge.org/blog/2013/06/15/welcome-to-scifund-201-open-notebook-science/

3. Aqui uma apresentação de como o grupo do projeto UsefulChem tem feito ONS:

http://precedings.nature.com/documents/39/version/1

E aqui a wiki do UsefulChem:

http://usefulchem.wikispaces.com/

4. Aqui a página de apresentação do projeto Open Source Malaria:

http://opensourcemalaria.org/

Nela há links para os “lab notebooks” e para a wiki dos pesquisadores.

5. Por fim, existe ainda uma ONS Network, um tipo de agregador de Open Notebooks:

http://onsnetwork.org/

Lá, nos itens do menu “What is Open Notebook Science?” tem links para dicas e instruções.

6. Por fim, posso indicar minha experiência pessoal em utilizar e estimular grupos de pesquisa dos quais participo a produzirem “Open Notebooks” em nossos projetos, usando a Wikiversity:

http://pt.wikiversity.org/wiki/Utilizador:Solstag

Apesar das limitações, eu acho a Wikiversity superior e, no longo prazo, mais útil que demais plataformas para ONS, mas aí vai do gosto!

Espero que este post seja útil a quem tiver interesse em Cadernos de Pesquisa Abertos! Uma prática que podemos classificar como um caso de Wikipesquisas.

Quem tiver mais dúvidas, sugestões ou ideias, pode deixar um comentário =)

Abraços,