Prezad@s,

A organização do XII Evidosol/IX Ciltec-online (XII Encontro Virtual de Documentação em Software Livre e IX Congresso Internacional de Linguagem e Tecnologia online ) convida a todos para suas atividades, que se iniciam nesta próxima segunda, 01/06, e vão até 03/06/2015.

Nesta edição do evento, você poderá assistir e interagir por meio das seguintes atividades:

Conferência Internacional: “A morfogénese da metropolização do mundo” – Isabel Marcos (Universidade Nova de Lisboa – Portugal) – 01/06/2015, 16h (Brasília). Local: Chatslide

Conferência Internacional: “Facebook: Identidade e (In)Segurança? Os Perigos da Linguagem Silenciosa” – Vanda Sousa (Universidade Nova de Lisboa – Portugal) – 02/06/2015, 16h (Brasília). Local: Chatslide

Conferência Nacional: “Algumas razões: por que utilizar e ensinar sobre software livre?” – Fátima Conti (Universidade Federal do Pará – Brasil) – 03/06/2015, 16h (Brasília). Local: Chatslide

e ainda muitas outras comunicações de pesquisas, relatos de experiências e críticas que podem ser conferidas na programação: <http://evidosol.textolivre.org/papers/2015/pub/>.

O evento é totalmente online, por meio de interações escritas em chats e fóruns, e fornece certificados de participação com carga horária. A inscrição pode ser feita nesta página até 01/06/2015.

Este congresso é organizado pelo Grupo Texto Livre e apoiado pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (FALE/UFMG), pelo Instituto de Ciências Exatas, Naturais e Educação da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (ICENE/UFTM), pela Universidade de Uberaba UNIUBE) e pelo projeto Kósmos, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).

Contamos com sua participação nos diálogos propostos neste evento, e também na divulgação deste convite!

atenciosamente,

Organização do Evidosol/Ciltec-online

http://evidosol.textolivre.org

evidosol@gmail.com
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Em Janeiro de 2014, um colega me disse que não comprava a proposta de micro-certificação que também é conhecido por badges. Tive que atualizar meu currículo Lattes e me aborreci bastante por não ter aprendido (se é que alguém sabe) como realizar essa tarefa. Para diminuir meu aborrecimento resolvi escrever este post sobre como o modelo de micro-certificação pode tornar o currículo Lattes muito mais amigável.

A Plataforma Lattes é um (des)serviço mantido pelo CNPq (vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) que hospeda o currículo dos pesquisadores brasileiros. Pesquisadores brasileiros só podem receber financiamento do CNPq se (1) possuírem o currículo na Plataforma Lattes e (2) se o currículo estiver atualizado. Infelizmente, para atualizar o currículo o usuário da plataforma precisam inserir manualmente todas as informações por meio de uma interface bastante confusa.

O Open Badges é um padrão aberto desenvolvido principalmente pela Fundação Mozilla para representar as habilidades/conquistas/premiações de um indivíduo. Uma badge consiste em um arquivo PNG (sim um arquivo de imagem) com vários metadados de maneira que ela pode ser facilmente armazenada, transferida e visualizada.

A maior quantidade de informações que adicionamos no Lattes está relacionado com artigos, posters, softwares, patentes, participações/apresentações em eventos, organização de eventos, … Boa parte dessas informações poderiam ser transferidas através de Open Badges de forma a facilitar a vida do usuário que ao invés de navegar em um interface confusa precisaria apenas enviar um arquivo PNG para a Plataforma Lattes, algo que espera-se ele estar habituado a fazer pois vários serviços na internet permitem ao usuário subir uma foto.

Os receios do meu colega eram (1) qualquer pessoa poder emitir suas próprias certificações e (2) averiguar veracidade da certificação.

A Plataforma Lattes não resolve o problema (1). É permitido você organizar uma sessão de poster, apresentar seu poster na sessão que organizou e adicionar esse trabalho no seu currículo Lattes.

Atualmente a Plataforma Lattes também não resolve o problema (2). Se eu adiciono no meu currículo Lattes que eu escrevi um software não existe ninguém que vá certificar que eu realmente escrevi o software. Felizmente, a adoção de Open Badges oferece uma solução para esse problema. Embora qualquer um possa emitir uma badge, fazê-lo demanda muito mais trabalho do que simplesmente preencher um formulário pois você precisa assinar digitalmente a badge ou disponibilizar publicamente uma cópia da badge em um servidor web. Por esse motivo, apenas algumas pessoas iriam emitir badges e isso "resolveria" o problema (2).

Vamos para um exemplo para deixar as coisas simples. Atualmente, adicionar participação em um evento no Lattes requer o preenchimento de um formulário que é algo simples, depois que você entende a interface confusa, e por isso é fácil adicionar um dado errado. Se você tiver apenas que enviar um PNG que a organização do congresso lhe enviou por email você irá economizar tempo e ter certeza que a informação está correta. Para a organização do congresso, enviar uma Open Badge não é trabalho adicional porque ela já iria emitir um certificado (em papel ou em PDF) para você.

Será que o Lattes consegue entrar na Web 3.0?

Open-data

A área de dados abertos e dados abertos conectados (do inglês Linked Open Data) vem crescendo e recebendo grande atenção tanto pela comunidade governamental, que possui uma grande quantidade de dados, quanto pela comunidade de desenvolvedores profissionais, que possui interesse em utilizar estes dados para gerar aplicativos (software) de alto impacto econômico e social.

Apesar do grande interesse, infelizmente, são poucas as entidades governamentais que possuem recursos humanos já treinados e qualificados para produzir dados abertos com qualidade e que possam ser utilizados para o desenvolvimento de aplicativos. Outra dificuldade é a carência de desenvolvedores que possuem habilidades para trabalhar com dados utilizando tecnologias avançadas da Web, em particular, as tecnologias da Web Semântica como ontologias (OWL, RDF-S), SPARQL, serviços semânticos, dentre outras, que permitem “raciocinar” em cima dos dados disponibilizados na Web de maneira rápida, segura, e com maior consistência. Essa falta de profissionais qualificados é um grande problema, uma vez que a Administração Pública federal, por meio da Lei de Acesso à Informação, em seu artigo 8º, determinou a necessidade de disponibilização de dados governamentais em formato aberto.

Assim, surgiu a demanda para a segunda parte do curso sobre Dados Abertos que visa capacitar gestores públicos, possibilitando que estes compreendam o assunto e atuem, de forma proativa, na abertura de dados governamentais.

Este curso é realizado pelo Centro de Estudos sobre Tecnologias na Web (CeWeb.br). É também uma continuação do curso Publicação de dados em formato aberto, que compõe o Projeto de Cooperação Técnica entre a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), a Controladoria Geral da União (CGU), e o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), por meio do Escritório Brasileiro do W3C, denominado Política Brasileira de Acesso a Informações Públicas: garantia democrática do direito a informação, transparência e participação cidadã.

O objetivo principal deste curso é fomentar e incentivar a qualificação de profissionais por meio da capacitação teórica, técnica e tecnológica que apoiam a criação e manutenção do ecossistema de dados abertos. Em particular, foca em métodos e ferramentas para modelar e estruturar os dados de maneira adequada (por exemplo, por meio de ontologias) para que estes possam ser utilizados e reutilizados por programas de computador. Além disso, pretende-se apresentar técnicas de desenvolvimento de software utilizando tecnologias avançadas provindas da área de Web Semântica e Linked Data para fazer uso efetivo dos dados publicados na Web.

O curso está disponível na plataforma da Escola de Políticas Públicas. Link para acesso ao curso: http://www.ep.org.br/curso/58

Texto publicado à pedido da autora, Sarah Schmidt.

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Jovens de Campinas entre 13 e 16 anos que se interessam por tecnologia e programação podem se inscrever para participar do projeto Jovem Hacker – Edição Cultura Digital até o dia 30 deste mês, por meio do site http://jovemhacker.org/. A formação gratuita é composta por oficinas sobre lógica de programação, software livre e desenvolvimento de programas e jogos. Algumas linguagens como HTML, CSS, Python e JavaScript serão trabalhadas com os alunos.

A proposta dos encontros é a de que os jovens, após participarem das oficinas iniciais, criem seus próprios programas com a orientação dos programadores que ministrarão as aulas. Ao final dos encontros, tais criações serão divulgadas para a população.

Os jovens interessados devem preencher uma ficha de cadastramento por meio da página http://jovemhacker.org/inscricao. As oficinas vão ocorrer sempre às quartas-feiras, de 13/5/2015 e 25/11/2015, das 13h30 e às 17h30, no CDI-Campinas (próximo ao Hospital Mario Gatti). Os participantes terão direito a vale-transporte e lanche durante o evento. Atenção: somente receberão certificado de participação os alunos que tenham menos de duas faltas.

Espera-se que sejam desenvolvidos programas e ações que beneficiem a própria sociedade, uma vez que um dos objetivos do projeto Jovem Hacker é auxiliar na formação de uma geração que seja autônoma tecnologicamente e que, consequentemente, esteja melhor preparada para definir os rumos do desenvolvimento tecnológico na cidade e no País.

Baseado em alguns princípios da chamada “Ética Hacker” como uso de software livre, compartilhamento livre de códigos de programação e trabalho colaborativo, o projeto pretende tornar os participantes mais conscientes sobre o funcionamento de programas e dispositivos digitais com os quais eles lidam todos os dias, mas muitas vezes não entendem seus mecanismos e funcionamento.

Desta forma, pretende-se que os participantes se tornem “tinkerers” ou “fuçadores” que possam entender os princípios dos códigos de computadores, personalizar, modificar e criar em cima de códigos e programas existentes.

O projeto Jovem Hacker é uma iniciativa do Núcleo de Informática Aplicada à Educação (NIED) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e do Coletivo Revoada.

Somente duas cidades foram contempladas com o Edital na área de cultura digital e Campinas está entre elas

O programa Jovem Hacker – Edição Cultura Digital foi contemplado pelo Edital nº 33/2014, “Concurso de apoio a projetos especiais – moda, gastronomia, artesanato e cultura digital – no Estado de São Paulo”, do Programa de Ação Cultural (Proac) da Secretaria da Cultura do Governo do Estado de São Paulo.

Além de Campinas, apenas mais uma cidade foi contemplada na categoria de cultura digital: Cananéia. O resultado do edital pode ser acessado aqui: http://www.cultura.sp.gov.br/StaticFiles/SEC/edital/33_rf_14.pdf

O projeto pioneiro nasceu em Campinas: uma experiência piloto ocorreu no primeiro semestre de 2014, quando uma turma formada por dez pessoas foi selecionada. Os jovens trabalharam com a linguagem Scratch e cada participante desenvolveu um jogo como produto final. Os jogos criados por eles podem ser conferidos no link http://jovemhacker.org/jogos-desenvolvidos-pela-1a-turma/.

Iniciaram hoje as avaliações dos trabalhos recebidos pelo UEADSL provenientes de 8 estados brasileiros: Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Pará, pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e Sergipe.

Este Congresso Nacional de caráter didático mostra mais uma vez sua força como recurso educacional aberto cujo principal propósito é trazer a público debates que, tradicionalmente, ficariam restritos ao espaço da sala de aula. Ao abrir essa discussão o evento não só convida à discussão pessoas normalmente dela excluídas como também enriquece o próprio debate na sala de aula.

No presente semestre, além dos já esperados autores contribuintes independentes, o evento conta com a participação de estudantes de graduação, pós-graduação e membros de grupos de pesquisa. Os principais temas submetidos foram Cultura Livre, Letramento Digital, Universidade e EAD e Universidade e Software Livre.

Cabe também destacar a Comissão Científica com membros de diversos estados brasileiros. O UEADSL é um evento totalmente online e sem custos para os participantes, promovido pelo grupo Texto Livre/Laboratório SEMIOTEC, da FALE/UFMG, desde 2010.

fonte: https://under-linux.org/entry.php?b=4286

O STIS – Seminários Teóricos Interdisciplinares do SEMIOTEC – é mais um dos eventos de livre acesso online promovidos pelo grupo Texto Livre, da FALE/UFMG.

Enquanto o EVIDOSOL/CILTEC-online tem como foco principal a divulgação científica no âmbito da cultura livre e o UEADSL é um evento de caráter didático, de formação de jovens pesquisadores, o STIS traz para as comunidades online debates científicos de ponta na interface interdisciplinar entre Linguística, Computação e Educação, dentre outras.

O evento é organizado na forma de seminários mensais, 8 por ano, e acontece na sala de conferências online disponível na página do evento, com acesso livre. Todas as conferências são registradas e ficam disponíveis para consulta após a realização do seminário.

Na próxima sexta-feira dia 17, às 14h (horário de Brasília) teremos uma conferência dupla com os professores e pesquisadores Ana Elisa Ribeiro, do CEFET-MG, e José Ribamar Lopes Batista Júnior, da UFPI. Os pesquisadores apresentarão, respectivamente, “Tecnologia e poder semiótico, escrever, hoje” e “Tecnologias Digitais no ambiente escolar em projetos de produção textual”. Maiores detalhes na página do STIS.

STISabril2015

Foi anunciada hoje a edição 2015 da OpenCon, conferência sobre acesso aberto, educação aberta e dados abertos voltada para estudantes e profissionais acadêmicos em início de carreira. Com o tema “Empowering the Next Generation to Advance Open Access, Open Education and Open Data”, o evento acontecerá entre os dias 14 e 16 de novembro em Bruxelas, Bélgica. A primeira OpenCon aconteceu no ano passado nos EUA, reunindo 115 pessoas de 39 países – entre eles a brasileira Renata Aquino, que relatou a experiência no seu blog.

Em 2014, a maioria dos participantes da OpenCon recebeu bolsas de viagem integrais, graças ao patrocínio de organizações como Max Planck Society, eLife, PLOS, e mais de 20 universidades. Isso deve acontecer também este ano. Por causa disso, a participação será limitada. As inscrições para uma vaga na conferência começam no dia 1° de junho de 2015.

A programação da OpenCon 2015 começará com dois dias de palestras e mesas-redondas em estilo mais tradicional combinadas com oficinas interativas, para aproveitar tanto a experiência dos líderes dos movimentos de acesso aberto, educação aberta e dados abertos quanto a experiência de participantes envolvidos em projetos bem-sucedidos. Patrick Brown e Michael Eisen, dois dos co-fundadores da PLOS, estão confirmados para uma das palestras principais do encontro. O terceiro e última dia repetirá a experiência do Advocacy Day – um treinamento rápido seguido da oportunidade de se reunir pessoalmente com representantes do Parlamento Europeu, da Comissão Europeia, de embaixadas, e de ONGs chave, para falar sobre os temas de interesse da conferência.

Neste ano será dado um destaque ainda maior à construção de uma comunidade em torno da OpenCon, incluindo a realização de eventos satélite – encontros organizados de forma independente misturando conteúdo da conferência principal com apresentadores locais. A Universidade Federal do Ceará organizou um desses em 2014 (apresentação disponível aqui), seria ótimo ver mais instituições brasileiras envolvidas este ano! As informações para interessados em organizar um evento satélite da OpenCon estão no site http://www.opencon2015.org/satellite.

A OpenCon 2015 está sendo organizada pela Right to Research Coalition, SPARC, e um comitê formado por instituições e estudantes de todo o mundo. Eu, Iara Vidal, faço parte desse comitê e estou muito animada com esta oportunidade! Espero ver alguns de vocês por lá.

As inscrições para a OpenCon 2015 começam em 1° de junho de 2015. Para mais informações sobre a conferência, visite www.opencon2015.org/updates.  Você também pode acompanhar a OpenCon pelo perfil oficial no Twitter, @Open_Con, ou usando a hashtag #opencon.

 

Nesta sexta serão abertas as inscrições para o UEADSL – Congresso Nacional Universidade EAD e Software Livre – de 10 a 17 de abril: http://ueadsl.textolivre.pro.br

Trata-se de um evento com caráter didático: as etapas iniciais não são eliminatórias, permitindo aos participantes reformularem sua proposta – inclusive minicurrículo – a partir da orientação recebida da Comissão Científica.O principal objetivo é ampliar os horizontes das discussões intra-classe para o universo online, com a participação de diferentes comunidades de software livre e ciência aberta, dentre outras.

O UEADSL, promovido pelo grupo Texto Livre, acontece desde o segundo semestre de 2010  e esta é a primeira edição com participação de professores de outros estados (nomes na comissão científica, na página http://textolivre.pro.br/blog/?page_id=2).
Em virtude dessa participação, prevista desde o início, o UEADSL conta com um sistema de gerenciamento do evento online altamente escalável e estão sendo preparados tutoriais de orientação para os professores iniciantes no processo, disponíveis em http://ueadsl.textolivre.pro.br/arquivos/. O tutorial sobre inscrição de turmas explica o processo da primeira etapa de submissão de trabalhos. Os trabalhos apresentados e que tiverem avaliação suficiente pela Comissão Científica serão publicados nos anais.

Da FALE/UFMG já temos confirmada a participação de alunos de graduação e pós-graduação.

Para saber mais:

 Participe!
headerueadsl

Resposta ao jornalista Maurício Tuffani, com relação ao seu artigo opinativo “O Qualis e o silêncio dos pesquisadores brasileiros”.

O questionamento do jornalista Maurício Tuffani é bem-vindo, especialmente considerando taxas pagas com dinheiro público. A maioria dos publishers acusados me parece realmente questionável. Aprecio também o trabalho jornalístico em tentar apresentar e discutir o outro lado da moeda. Permita-me porém complicar um pouco mais a história e introduzir alguns tons de cinza nessa figura deveras preto no branco.

Listas classificatórias não devem ser tratadas como uma panaceia. Devemos nos perguntar como é emitido o veredito afirmando que um periódico é predatório ou não, questionando os acusadores também. Atualmente há uma única lista-negra, mantida por um bibliotecário com auto-declarado desgosto por acesso aberto (mesmo que legitimo e genuino; veja artigo de Beall na revista tripleC). Alguns publishers mais agressivos já foram chamados de predatórios (p.ex., Hindawi) e tiveram as acusações posteriormente removidas pelo próprio Beall, porém não é claro quantos falso-positivos como esse já existiram ou ainda existem. Persistem atualmente nomeações controversas, como a da MDPI, cujos periódicos incluem um patrocinado por uma sociedade científica e outro com revisão por pares aberta na Internet.

A mesma MDPI foi investigada pela Associação de Publishers de Acesso Aberto (OASPA) e teve seu caso dispensado. Também foi alvo da operação infiltrada do correspondente da revista Science e acabou rejeitando o artigo forjado. Por outro lado, a MDPI é notória por defender a publicação de artigos acusados de pseudo-científicismo, além de ser vítima frequente de dúvidas a respeito da participação de nobelistas nos seus comitês editoriais (acusação que infelizmente é passada adiante sem verficação por veículos como a revista Veja). Outros publishers, como a SCIRP, recebem fatores de impacto legítimos da Thomson-Reuters, mas por vezes acabam perdendo-o devido a anomalias nas citações (como no caso dos cinco periódicos brasileiros de medicina em anos anteriores).

Eventualmente a comunidade acadêmica brasileira vai ter que se debruçar e verificar esses periódicos mais de perto um-a-um, e então confirmar/rejeitar a sua inclusão no Qualis, área-a-área. O fato é que o Qualis é uma classificação posterior dos veículos nos quais já foram publicados artigos por autores brasileiros no triênio passado. Ao mesmo tempo que é um direito do contribuinte cobrar um posicionamento dos acadêmicos representantes de área junto à Capes, cabe respeitar o veredito que esses especialistas vierem a tomar com relação a tais periódicos suspeitos.

Agradeço ao jornalista Tuffani pelo escrutínio. Por favor continue com o bom trabalho e a dedicação dispensada. A nossa sociedade necessita de um jornalismo investigativo forte e atuante.

(Auto-transparência com relação a possíveis conflito de interesse: nunca publiquei um artigo nesses periódicos, porém já emiti pareceres na revisão por pares de artigos submetidos para publicação em um deles. Minha motivação nesse post é ver pesquisadores e professores competentes publicando em periódicos decentes tendo sua legitimidade questionada — de forma potencialmente, possivelmente, e provavelmente injusta.)

-Felipe Geremia Nievinski.
PhD em Engenharia Aeroespacial
Pós-doutorando (UNESP)
Professor (IFSC)
http://lattes.cnpq.br/8920245600831468
http://researchgate.net/profile/Felipe_Nievinski
http://publons.com/a/301899

PS: com relação a um mesmo periódico ser alocado em diferentes estratos dentro de diferentes áreas do conhecimento, isso é razoável e até desejável. É uma consequência natural do requisito de classificação, de que cada estrato seja ocupado por um número percentual fixo de periódicos. Assim, as diferentes estratificações refletem áreas do conhecimento mais ou menos competitivas. Simples assim.

PPS: a limpeza do Qualis com relação a periódicos predatórios havia sido mencionada em 2014 na lista do grupo Ciência Aberta. Outras anomalias do Qualis foram mencionadas. Parecem haver anais de eventos incluídos como periódicos (não são falso-positivos como o periódico “Anais da Academia Brasileira de Ciências”), veja a área Interdisciplinar do Qualis. Além disso, será que mega journals (com baixa seletividade) como PLOS ONE merecem atenção especial? Por último, a metodologia de classificação difere de área para área; algumas são mais subjetivas (predominantemente humanas e sociais), outras mais objetivas (talvez a da área da Ciência da Computação seja a mais rigorosa, pois normaliza as suas sub-áreas internamente, para que, p.ex., periódicos teóricos não dominem sobre periódicos experimentais).

Texto contribuído por Luca Maciel.

Imagem de TaxRebate.org.uk obtida em https://www.flickr.com/photos/59937401@N07/5858045584/in/photostream/

Está em discussão na Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio (CDEIC), para posterior votação no Plenário da Câmara dos Deputados, o PLN Nº 4.961/05 do deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP). Este Projeto de Lei estabelece que as substâncias ou materiais extraídos de seres vivos naturais e materiais biológicos serão considerados invenção ou modelo de utilidade, podendo ser patenteados.”

A Lei anterior, por enquanto ainda vigente, diz:

Art. 10. Não se considera invenção nem modelo de utilidade:

[…]

IX – o todo ou parte de seres vivos naturais e materiais biológicos encontrados na natureza, ou ainda que dela isolados, inclusive o genoma ou germoplasma de qualquer ser vivo natural e os processos biológicos naturais.

Não sendo “do ramo” (sou socióloga), mas instintivamente colocando-me contrária à proposta da lei, fui conversar com quem entende do assunto – o da biologia e das patentes.

Além das questões éticas e morais implicadas, e das nossas discussões sobre a privatização do conhecimento, há concordância entre os especialistas consultados que “seres vivos naturais e materiais biológicos” não são – nem podem ser considerados como – “invenção ou modelo de utilidade”.

Parece lógico, conforme comentário de pesquisador do Butantã: na lei anterior, para poder patentear, era preciso fazer modificações naquilo que foi descoberto para que constituísse uma invenção. Na nova, aparentemente, se você descobre algo novo em um organismo, como uma molécula X com atividade Y, já pode patentear “in natura“. Nesse sentido, é preciso lembrar que uma invenção é algo que você cria, que antes não existia como tal. Já uma descoberta é algo que você encontra como tal, independentemente do uso que você dá à descoberta.

Outro especialista acadêmico, de instituição de pesquisa em saúde, diz que o projeto do Mendes Thame reflete a preocupação de parte da indústria (multinacional, sobretudo) que reclama proteção mais robusta para os seus investimentos em pesquisa. Alguns grupos de pesquisa brasileiros podem se beneficiar desta medida.

Faz também as seguintes considerações: produtos sob monopólios são geralmente muito mais caros e empresas detentoras da patente recolhem royalties (em geral, enviados ao exterior). A ponderação certamente passa pelo benefício que será dado aos nacionais, pelo potencial de atração do investimento direto estrangeiro e pela conta a ser paga para acesso a produtos importados que usufruem de proteção em território brasileiro. Chama atenção para o fato de que, em relação às questões éticas, temos uma variedade de opiniões. Desde grupos que não consideram este tipo de proteção como ofensa moral de modo algum até aqueles que defendem o banimento total.

Interessante lembrar o caso das patentes Myriad, que chamou muita atenção ao confirmar o banimento da proteção de invenção correlata nos EUA. A Suprema Corte dos EUA decidiu por unanimidade, em 13/06/2013, que genes humanos não podem ser patenteados por empresas.

“Genes são produtos da natureza e, portanto, não podem ser patenteados só porque uma empresa conseguiu isolá-los”, disse a Corte. Mais detalhes sobre o caso em nesta notícia do Conjur e nesta página de Bioética da UFRGS.

No Brasil, a Rebrip (Rede Brasileira pela Integração dos Povos) tem feito alertas sobre o tema.

Na mesma direção, o GTPI (Grupo de Trabalho em Propriedade intelectual) divulgou carta aberta à Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania – CCJC em 19/03/2015, pedindo que seja reconhecido “o caráter eminentemente público da lei de patentes e seus impactos na saúde pública e no acesso a medicamentos, e não apenas interesses privados e industriais”. Mais detalhes.

Para quem estiver interessado, há uma petição criada pelo GTPI neste link da Avaaz.

Maria Lucia Maciel, 22/03/2015