A ideia de que o conhecimento científico, de todos os tipos, deve ser compartilhado abertamente tão cedo quanto praticável no processo de descoberta. —Michael Nielsen
Autor: Iara Vidal
Carioca, bibliotecária não-praticante e acadêmica em construção. Mestre em Ciência da Informação pela UFF (2014), atual doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia e da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Interessada em acesso aberto, ciência aberta, e métricas alternativas.

A declaração da Iniciativa de Budapeste pelo Acesso Aberto (Budapest Open Access Initiative, ou BOAI) foi publicada em 14 de fevereiro de 2002. Prestes a completar 15 anos, a Iniciativa de Budapeste é um dos marcos iniciais do movimento pelo acesso aberto à informação científica. Seu conceito de “open access” acabou se tornando padrão mundial:

“Por ‘acesso aberto’ a esta literatura, nos referimos à sua disponibilidade gratuita na internet, permitindo a qualquer usuário a ler, baixar, copiar, distribuir, imprimir, buscar ou usar desta literatura com qualquer propósito legal, sem nenhuma barreira financeira, legal ou técnica que não o simples acesso à internet. A única limitação quanto à reprodução e distribuição, e o único papel do copyright neste domínio sendo o controle por parte dos autores sobre a integridade de seu trabalho e o direito de ser propriamente reconhecido e citado.”

Para avaliar o impacto da BOAI e repensar sua relevância para o futuro, a Iniciativa está promovendo uma consulta pública, disponível em http://budapestopenaccessinitiative.org/boai15-1 até 20/01/2017.

Ao longo do tempo, o movimento pelo acesso aberto ganhou força, mas os desafios persistem. Exemplo disso são os recentes problemas nas negociações entre a Elsevier e governos, universidades e consórcios de bibliotecas em países como Taiwan, Alemanha, e Peru. Pesquisadores e instituições continuam tendo de escolher entre gastar cada vez mais com assinaturas ou perder acesso a periódicos relevantes. O Brasil, segundo o jornalista Maurício Tuffani, deve gastar em 2017 R$ 402,9 milhões com o Portal de Periódicos da CAPES, um aumento de 16,9% em relação a 2016. Com a perspectiva de cortes de gastos e congelamento de despesas nas próximas décadas, fica no ar a questão de até quando poderemos manter esse ritmo.

A partir das respostas ao questionário BOAI15, a Iniciativa de Budapeste pretende elaborar e atualizar recomendações que promovam o acesso aberto. Seria especialmente interessante levar a perspectiva brasileira/latinoamericana para essa discussão, já que nossos problemas nessa área são diferentes daqueles vividos na Europa e nos EUA. Participe você também respondendo à pesquisa e divulgando-a entre seus contatos até o dia 20 de janeiro de 2017.

logoOpenCon2016

Está aberto até 11 de julho o processo de seleção para participar da edição 2016 da OpenCon, que acontecerá na capital dos Estados Unidos, Washington DC, entre 12 e 14 de novembro de 2016 (veja aqui o anúncio oficial). A OpenCon é uma conferência internacional promovida anualmente pela SPARC e pela Right to Research Coalition, voltada para estudantes, professores, bibliotecários e outros profissionais acadêmicos em início de carreira interessados em acesso aberto, educação aberta e dados abertos.

Seguindo o modelo dos anos anteriores, a programação da OpenCon 2016 começará com dois dias de palestras,  mesas-redondas e oficinas, sendo o terceiro e último dia dedicado a um treinamento em advocacy seguido da oportunidade de se reunir com legisladores, representantes de ONGs e outros tomadores de decisão. Entre os palestrantes das duas primeiras conferências da OpenCon estão Jimmy Wales (cofundador da Wikipedia), Mike Eisen (cofundador da PLOS), e Julia Reda (membro do Parlamento Europeu).

A fim de que os custos de uma viagem internacional não sejam um obstáculo à participação de estudantes e jovens profissionais, os organizadores da OpenCon procuram oferecer bolsas totais e parciais à maioria dos participantes. Por isso, para participar da conferência é preciso passar por um processo de seleção, que procura também garantir a diversidade de participantes em termos de carreira, interesses, geografia, gênero etc. As inscrições devem ser feitas pelo site http://www.opencon2016.org/apply

Também é possível participar à distância do evento pela OpenCon Live. Além da transmissão em tempo real das sessões, os organizadores oferecem uma teleconferência para que os participantes remotos possam conversar entre si e liderar oficinas e discussões virtuais. Já é possível se inscrever para a OpenCon Live no site www.opencon2016.org/opencon_2016_live (essa inscrição não afeta o processo de seleção para o evento presencial).

Para alcançar ainda mais pessoas, a Right to Research Coalition e a SPARC estimulam a realização de eventos satélite, que podem ser promovidos por qualquer pessoa/organização, em qualquer escala. No ano passado, o encontro nacional do Grupo de Trabalho em Ciência Aberta foi realizado em parceria com a OpenCon. Quem se interessar em promover um evento satélite pode obter mais informações no site www.opencon2016.org/satellite.

Mais do que uma conferência, a OpenCon é uma plataforma onde pessoas interessadas na ciência aberta podem encontrar colaboradores. Algumas das iniciativas lideradas por membros da comunidade OpenCon incluem as ferramentas Open Access Button e Dissem.in, o site WhyOpenResearch?, as organizações Open Access Nepal, Open Access Nigeria, Open Access Sudan, Open Access Academy e OOOCanada Research Network, o Open Research Glossary, e pelo menos um artigo científico investigando os impactos sociais, econômicos e acadêmicos da publicação em acesso aberto.

Para mais informações, visite o site www.opencon2016.org, siga a OpenCon no Twitter (@Open_Con ou #opencon) e Facebook, e/ou leia relatos sobre as edições anteriores, em 2014, pela Renata Aquino, e em 2015, por mim. É possível assistir a vídeos das edições anteriores do evento e ter acesso a outros recursos no site www.opencon2016.org/resources.

Licença CC-BY; Fonte: https://flic.kr/p/r4gUDn

Open Con 2015

Estão abertas até 22 de junho as inscrições para interessados em participar da OpenCon 2015, que acontece entre os dias 14 e 16 de novembro em Bruxelas, Bélgica. A OpenCon é uma conferência voltada para estudantes e profissionais em início de carreira interessados/envolvidos na promoção do acesso aberto, da educação aberta, e dos dados abertos, na teoria e na prática – a programação inclui palestras, discussões, oficinas, hackatons e até um advocacy day com visitas ao Parlamento Europeu e outros órgãos (leia mais em nosso post anterior sobre o evento).

Bolsas integrais são oferecidas a todos os participantes que não podem arcar com os custos da viagem. Por causa disso, a participação é limitada. Interessados em uma vaga na conferência devem preencher até 22/6 o formulário disponível no endereço opencon2015.org/attend. As inscrições serão avaliadas em duas etapas, e os resultados finais serão divulgados até o dia 21 de julho. Para saber mais sobre o processo de inscrição, leia a FAQ.

A OpenCon é organizada pela Right to Research Coalition, SPARC, e um comitê formado por instituições e indivíduos de todo o mundo (eu, inclusive). Mais do que um evento anual, a intenção é construir uma comunidade – mesmo quem não conseguir ir a Bruxelas pode se inscrever na lista de discussão, participar das chamadas e webcasts mensais, ou até mesmo organizar eventos-satélite locais.

Divulguem e participem!

Foi anunciada hoje a edição 2015 da OpenCon, conferência sobre acesso aberto, educação aberta e dados abertos voltada para estudantes e profissionais acadêmicos em início de carreira. Com o tema “Empowering the Next Generation to Advance Open Access, Open Education and Open Data”, o evento acontecerá entre os dias 14 e 16 de novembro em Bruxelas, Bélgica. A primeira OpenCon aconteceu no ano passado nos EUA, reunindo 115 pessoas de 39 países – entre eles a brasileira Renata Aquino, que relatou a experiência no seu blog.

Em 2014, a maioria dos participantes da OpenCon recebeu bolsas de viagem integrais, graças ao patrocínio de organizações como Max Planck Society, eLife, PLOS, e mais de 20 universidades. Isso deve acontecer também este ano. Por causa disso, a participação será limitada. As inscrições para uma vaga na conferência começam no dia 1° de junho de 2015.

A programação da OpenCon 2015 começará com dois dias de palestras e mesas-redondas em estilo mais tradicional combinadas com oficinas interativas, para aproveitar tanto a experiência dos líderes dos movimentos de acesso aberto, educação aberta e dados abertos quanto a experiência de participantes envolvidos em projetos bem-sucedidos. Patrick Brown e Michael Eisen, dois dos co-fundadores da PLOS, estão confirmados para uma das palestras principais do encontro. O terceiro e última dia repetirá a experiência do Advocacy Day – um treinamento rápido seguido da oportunidade de se reunir pessoalmente com representantes do Parlamento Europeu, da Comissão Europeia, de embaixadas, e de ONGs chave, para falar sobre os temas de interesse da conferência.

Neste ano será dado um destaque ainda maior à construção de uma comunidade em torno da OpenCon, incluindo a realização de eventos satélite – encontros organizados de forma independente misturando conteúdo da conferência principal com apresentadores locais. A Universidade Federal do Ceará organizou um desses em 2014 (apresentação disponível aqui), seria ótimo ver mais instituições brasileiras envolvidas este ano! As informações para interessados em organizar um evento satélite da OpenCon estão no site http://www.opencon2015.org/satellite.

A OpenCon 2015 está sendo organizada pela Right to Research Coalition, SPARC, e um comitê formado por instituições e estudantes de todo o mundo. Eu, Iara Vidal, faço parte desse comitê e estou muito animada com esta oportunidade! Espero ver alguns de vocês por lá.

As inscrições para a OpenCon 2015 começam em 1° de junho de 2015. Para mais informações sobre a conferência, visite www.opencon2015.org/updates.  Você também pode acompanhar a OpenCon pelo perfil oficial no Twitter, @Open_Con, ou usando a hashtag #opencon.