Hoje, encerramento oficial do Congresso Nacional Universidade EAD e Software Livre, duas conferências de encerramento estão em destaque:

A conferência “Uma plataforma de ciência aberta para o Brasil”, da Viviane Toraci, apresenta “os resultados alcançados na tese de doutoramento da autora. Mais do que compartilhar conclusões de um estudo acadêmico, conclama uma posição política do Estado brasileiro em prol do desenvolvimento da Ciência Aberta como princípio para a produção científica nacional sob financiamento público. Palavras-chave: ciência aberta; política de comunicação, comunicação científica, acesso livre”. Viviane é doutora em Comunicação pela UFPE e é servidora da Fundação Joaquim Nabuco, onde está desenvolvendo a pesquisa “Divulgação científica na internet e o ensino de Ciências Humanas na educação básica”.  Acesse o artigo e o podcast aqui.

Ana Matte (eu) e Thalita Almeida, ambas da UFMG, do grupo Texto Livre, apresentam um estudo que mostra as confluências de atores, estratégicas, recursos e metas que fazem do UEADSL um jogo: “Pensar o UEADSL como um jogo é a base de sua eficácia: somente quando o jogador assume o papel do personagem, que lhe é designado, a mágica acontece: a destreza necessária é aprendida e a perspicácia para ir além do óbvio é, aos poucos, adquirida, processo que se pode chamar de empoderamento do jogador.” Acesse o artigo e o podcast de “UEADSL é um jogo: conheça nossa jogada” aqui.

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Ainda hoje serão concedidas as Menções Honrosas e voltaremos com essa e mais notícias. Participe!

Autora: Marcela Gontijo

Estamos no quarto dia de UEADSL e o principal acontecimento até agora nessa edição foi o lançamento oficial do livro “Memórias de letramentos: vozes do campo”, com organização de Carlos Henrique Silva de Castro e Luiz Henrique Magnani. Castro é membro da equipe do Texto Livre, coordenador do Evidosol/Ciltec-online e formado pelo Poslin/UFMG, o professor da UFVJM foi o primeiro a trazer estudantes de uma licenciatura do campo para o UEADSL. O livro, lançado pela editora da UFVJM, está disponível em PDF, sob licença creative commons, conforme os preceitos da ciência aberta.

Até o momento pudemos perceber que, apesar de uma diminuição do número de visualizações de páginas por visitante (de 8,9 para 7,5), temos uma maior concentração dos visitantes nos trabalhos: menos navegações pelo evento, mas mais envolvimento com os debates e as publicações e também maior interação. É um movimento que temos observado também nas edições anteriores do UEADSL, que sugere que há uma curva crescente de aprendizado dos participantes nos 3 primeiros dias do evento. Veja o gráfico abaixo com mais detalhes dos acessos e interações:

E com o evento chegando para o fim, a votação para as menções honrosas já está aberta. Para participar, basta fazer login e acessar, pelo menu à direita, o link para a votação, que encerra-se sexta, dia 01/12, às 12h. Participe!

Dois dias de evento e o mês de novembro aponta para um dos maiores UEADSLs de todos, não só pello número crescente de visitantes, que já ultrapassa mil e setecentos, mas pela qualidade dessa participação, com 385 comentários publicados desde a liberação dos artigos na sexta passada. Ou seja, fazendo uma metáfora de evento presencial, cada trabalho, dentre os 56 distribuídos na grade, teve um público de 140 pessoas, com 7 perguntas no final. E, vale citar, a analogia ainda nos permite saber de um fato bem curioso para um congresso nacional: 10% do público veio dos Estados Unidos.

Acessos até 29/11 às 5h;

O artigo mais acessado de terça foi o artigo sobre o lançamento do livro: “Memórias de letramentos: vozes do campo”. Já o artigo mais comentado, aborda os traços barrocos na arquitetura do centro histórico de Diamantina. O trabalho de Maurício Teixeira Mendes tem suscitado muitos comentários sobre a arte barroca em diversas cidades mineiras.

Se você deseja saber mais sobre o evento, acompanhe as notícias publicadas pelo CAED, tais como Manifesto em defesa do ensino superior público e gratuito marca abertura do UEaDSL 2017/2 (publicada em 27/11) e Com edição marcada para próxima semana, UEaDSL tem organização complexa feita por voluntários (23 de novembro).

A partir de hoje está aberta a votação para menção honrosa. O prêmio, concedido aos melhores trabalhos pela Comissão Científica, também é concedido ao melhor trabalho escolhido pelo público. Participe!

Ana e Marcela

reportagem: Marcela Gontijo

Começou ontem o O Congresso Nacional Universidade EAD e Software Livre – UEaDSL e já tivemos muitos acessos! Apesar de registrar comentários do público desde sexta dia 23, somente nesta segunda o evento começou oficialmente , com encerramento previsto para sexta-feira, dia 1º. A 13ª edição do evento online recebeu .

Na última edição, em junho desse ano, tivemos mais 12 mil acessos no portal do evento e a atual edição já conta com mais de 5 mil acessos. Um sucesso! Com cerca de 1500 visitantes até agora, por ser um evento online assíncrono, o UEADSL tem visitantes do Brasil, Angola, Portugal, Estados Unidos, Moçambique, Alemanha Candá e México, o que só contribui para a diversidade do evento. Dentre os termos mais buscados, temos “repertorio linguístico dos adolescentes” e “ueadsl”.

As expectativas para o evento estão altas, pois há muitos trabalhos interessantes este semestre feito por diversos alunos e bolsistas. Quem quiser conhecer mais, pode conferir em nosso site! Amanhã voltamos com mais notícias.

Algumas figuras do evento (obtidas por Matte, 2017, Usando Jetpack/Wordpress):

Dados de novembro até 18h do dia 27.
Dados de novembro até 18h do dia 27.

 

Participação por país.
Participação por país.

 

Abrimos a chamada no Congresso Nacional Universidade Educação e Software Livre (UEADSL)para participação de pesquisadores em formação e professores universitários como debatedores (coordenadores de mesa ou mesários) das propostas do UEADSL pensando que poderia aparecer alguém… São tantos que cada trabalho se vê, praticamente, numa defesa de mestrado, sem a tensão decorrente, mas muito empenho.

Na esteira do trabalho voluntário, sempre presente no Texto Livre, grupo que promove o UEADSL desde 2010, trago aqui a chamada criada pelo Renato, um dos professores que, no meio dos trabalhos para corrigir e acompanhar, ainda achou tempo para essa arte.

Participe! Divulgue!

Nesta segunda-feira próxima, o Congresso Nacional Universidade EAD e Software Livre, edição 2017.2, inicia suas atividades. Isto é, inicia oficialmente, porque, na prática, o debate começou há 2 dias, quando começamos a disponibilizar os trabalhos na grade de programação.

Vantagens de ser online e assíncrono, mas também vantagem de ser povoado por pessoas que acreditam na educação, de uma forma bem paulofreiriana de ser. As atividades começaram com uma turma de alunos de uma escola de ensino médio campo cujo professor, Maurício Teixeira Mendes, graduando da UFVJM no curso de Licenciatura em Educação do Campo, participa, por sua vez, também como aluno de uma disciplina ministrada por Carlos Castro, um professor que figura dentre os mais assíduos participantes do evento. Fiz questão dessa frase longa e até confusa: na prática, fazer educação aberta é correr o risco de perder o controle da turma. Não aquele controle do “todos em silêncio” que faz ser mais fácil passar um conhecimento estático, mas o controle dos limites do que ensinamos, pois ao ensinar a aprender com autonomia, ensinamos que os limites não são dados a priori e aquilo que fizermos pode multiplicar-se indefinidamente.

Se perguntarem, portanto, o que eu espero que o UEADSL faça por meus alunos, posso responder: que sejam multiplicadores dessa postura colaborativa, do compromisso com o conhecimento compartilhado e do respeito à liberdade e à diversidade. Que façam ciência aberta e percebam o quanto tudo isso é revigorante, mesmo em tempos de esperanças retraídas.

Agora, não são só alunos quem saem ganhando: nem mesmo se contarmos os alunos dos alunos, como acima, estaremos falando do todo que é o UEADSL. Autores aprendendo a escrever melhor e apresentar-se com maior presença acadêmica, convidados experimentando formas de apresentação que ainda não conheciam, membros das comissões aprendendo a dominar técnicas de trabalho em equipe a distância, gerenciar, usar e até desenvolver softwares para apoiar o evento, professores aprendendo a lidar com a interdisciplinaridade e com ferramentas tecnológicas pouco conhecidas, além de escreverem em conjunto o editorial do evento, e não devemos deixar de elencar as agências e instituições que apoiam o UEADSL, cuja compreensão do escopo do evento é um processo e não uma simples transmissão de informação: todos aprendendo uns com os outros.

Para completar esta reflexão, copio aqui o que disse, ainda há pouco à Desirée Antônio, jornalista do CAED/UFMG, numa entrevista que foi, aliás, o mote deste escrito:

O Texto Livre já produzia REA mesmo antes de saber o que essa sigla significa, desde a produção de tutoriais para uso de software livres na educação (como o LibreOffice e o Freemind) até jogos e repositórios de conteúdos específicos, como os jogos para estudo de crases, vírgulas, gramática aberta online e o Linha do Texto.

Na página do Texto Livre encontramos mais informações no http://textolivre.org/site/recursos-abertos/ e, no caso de softwares por nós desenvolvidos, em http://textolivre.org/site/softwares-do-texto-livre/

O próprio UEADSL é um recurso educacional aberto, talvez o mais completo e complexo dentre aqueles produzidos pelo grupo. Sua estrutura permite que todos os participantes (alunos-autores, professores-pareceristas, pesquisadores-mesários e membros das comissões) possam experienciar o processo de modo tal que, mesmo quem está ali para ensinar, acabe aprendendo coisas novas o tempo todo.  A cada edição, o evento se reinventa, incorporando novas perspectivas e novas opções de acordo com o grupo de pessoas que nele se envolve e, assim, até quem, como eu, está organizando o UEADSL desde 2010, acaba sempre surpreso com resultados inesperados e fascinantes.

O voluntariado também tem seu lugar de destaque, pois, muitas vezes, é um voluntário quem salva o dia. Em 2011, no primeiro semestre, lembro de estar muito atrapalhada por ter encontrado um bug no sistema do UEADSL e não estar conseguindo resolver. Atrapalhada porque isso aconteceu no primeiro dia do evento e podia prejudicar seriamente toda aquela edição.  Sem saber onde procurar ajuda, escrevi para meus alunos, pois na época estava oferecendo uma disciplina de oficina de textos para alunos das mais diferentes unidades da UFMG, inclusive computação. Chamei por voluntários e, mais naturalmente do que eu esperava, um voluntário apareceu. Aluno da computação com experiência profissional na área, o Gabriel bateu na minha porta timidamente, sentou-se em meu lugar e resolveu o problema. E o evento correu como esperado.

É esse espírito colaborativo que torna um REA poderoso, pois reflete, a meu ver, uma compreensão e ação da educação sobre o mundo, que pode ser assim resumida: o conhecimento não é do homem, é da humanidade. Por isso fazemos ciência cidadã (uma ciência situada no mundo), educação aberta (a educação voltada para o ser humano e suas comunidades) e software livre (um software que não é objetivo em si mesmo, mas surge no equilíbrio entre quem faz e quem usa).
E já que falamos em REA, deixo aqui, como despedida, o jornal-tutorial de participação:

O Congresso Nacional Universidade EAD e Software Livre, que volta e meia vem povoar as páginas do blog da Ciência Aberta, está novamente chegando: do dia 27/11 a 1/12 estaremos debatendo abertamente, além dos temas centrais que o próprio nome do evento evidencia, trabalhos sobre letramento, tecnologiaas na educação, inovação e pesquisa, formação de professores e, como não poderia deixar de ser, ciência aberta.

Este semestre abrimos com antecedência a inscrição de moderadores (coordenadores de mesa), para animar e elevar o nível do debate. Se você estiver interessado em participar, é professor universitário ou estudante de pós-graduação, pode coordenar algumas mesas e, assim, dar uma apimentada na discussão trazendo o tema da ciência e da educação abertas, que, para a maioria dos autores do UEADSL2017.2, é uma total novidade.

Maiores informações podem ser obtidas na reportagem feita pela UFMG (https://ufmg.br/comunicacao/noticias/evento-abre-inscricoes-para-coordenadores-de-mesa) e no site do UEADSL (http://ueadsl.textolivre.pro.br).

Este congresso, um REA fundado sobre a educação libertária e a educação aberta, é uma verdadeira aventura didática, para todos os envolvidos, e é promovido pelo grupo Texto Livre  desde 2010 e conta com o apoio da Faculdade de Letras e do Centro de Educação a Distância, ambos da UFMG.

A revista Texto Livre: Linguagem e Tecnologia acaba de publicar seu número
1, volume 10 de 2017, disponível em
http://www.periodicos.letras.ufmg.br/index.php/textolivre. Convidamos todos
a navegar no sumário da revista para acessar os artigos e outros itens de
seu interesse.
A revista Texto Livre: Linguagem e Tecnologia tem Qualis B2 em
Letras/Linguística e recebe artigos em fluxo contínuo
(http://www.periodicos.letras.ufmg.br/index.php/textolivre/about/submissions#authorGuidelines)

Agradecemos seu interesse e apoio contínuo em nosso trabalho,
Os editores da Texto Livre
revista@textolivre.org

Texto Livre: Linguagem e Tecnologia
v. 10, n. 1 (2017): Texto Livre: Linguagem e Tecnologia
Sumário
http://www.periodicos.letras.ufmg.br/index.php/textolivre/issue/view/560

O UEADSL está chegando aos seus últimos momentos. Fora apenas 41 trabalhos apresentados, de modo que a quantidade de comentários e participantes ultrapassou e muito as expectativas. Até agora, faltando menos de 4h para a meia noite, registramos 1065 visitantes e 1406 comentários. O melhor é que o nível do debate e das colocações dos participantes nos comentários publicados no blog foi muito alto, com novas informações, questionamentos e até redirecionamentos acontecendo a toda hora.

Posso falar porque, como era um evento “pequeno”, li cada um desses comentários, que tanto me entusiasmaram que algumas vezes não resisti e acabei entrando na discussão. Um exemplo foi este comentário, publicado na pagina de um dos convidados, o Alexandre Oliva, da Free Software Foundation:

“A sociedade sempre e em qualquer lugar tem esses movimentos de versão (a oficial), contraversão (a que não se adequa nem propõe outra, mas faz “por fora”) e inversão (a que propõe outra ordem, que critica e desmistifica a versão e busca algo melhor pra pôr no lugar).
Nenhuma é boa ou má por princípio, até porque isso sempre vai depender do olho que as vẽ.
Neste UEADSL vimos, em comentários de praticamente todos os trabalhos, denúncias de contraversão, sobre a falta de abertura para o novo, de estagnação, de submissão. Não é um fato isolado e nem novo: essa percepção aparece desde que se discuta a educação como opção para mudança. Ao mesmo tempo, os trabalhos publicados no evento foram exemplos de inversão, com propostas claras, inovadoras e críticas. O texto com que o Oliva nos brindou fala de um caminho válido, real, mas que pouquíssimos conhecem e menos de nós ainda conseguem seguir integralmente: optar por ser livre, optar pela colaboratividade mais cooperação mais compartilhamento mais meritocracia, optar pela cidadania de fato e de direito. Nesse caminho conheci muita, mas muita gente mesmo, milhares de pessoas dedicadas a essa luta, à capacitação de outras pessoas para poderem optar por esse caminho. O Texto Livre nasceu no meio dessas pessoas e é uma dentre muitas opções de integração ao meio. Ninguém precisa trilhar sozinho a transição para a liberdade. Como o Oliva, confirmo: venha, queremos ajudar!” (link para o comentário: http://ueadsl.textolivre.pro.br/blog/?p=8552&cpage=1#comment-12446)

O público deixou impressões entusiasmadas tanto no fórum de cafezinho quanto em comentários às apresentações de abertura e encerramento.

O entusiasmo não é sem motivo. Imagine um evento presencial em que a sala mais vazia tinha um público de 42 pessoas! Pode imaginar? No outro extremo, uma das comunicações alcançou, até agora, um público de 397 pessoas.

Vantagens de ser online, nenhum evento presencial estaria preparado para tamanho público numa comunicação. E vantagens de ser aberto, pois o público veio atrás dos assuntos e dos debates, sem impedimentos quanto a financiamento para a viagem ou até para inscrição no evento. E, sendo aberto e online, esses número só vão crescer, já bem longe do nosso controle, pois todas as apresentações e debates realizados durante o evento continuarão acessíveis pelo público, sem restrições.

Acredito ainda que tamanho entusiasmo deve-se também, ao momento político em que vivemos, no qual poucas chances de sermos ouvidos, de sermos reconhecidos, de sermos considerados temos. Encontrar um ambiente assim, acessível e acolhedor, sem preconceitos nem tratamentos diferenciados para inguém, pode ter sido sentido por muitos como um oásis. Assim, venho a público dizer o que tenho sentido nesse ano de 2017: o que precisamos é de mais oportunidades de exercer nossa liberdade.

E liberdade não se ganha: liberdade se conquista.

Até segunda, ainda deixaremos o espaço aberto ao debate, para aqueles que não puderam participar durante a semana. Os certificados de participação, portanto, saem segunda.

Agradeço a todos pelo evento incrível que estamos presenciando.

Em fevereiro deste ano, o Portal de notícias da UFMG publicou uma entrevista com o Professor Carlos Henrique Silva de Castro sobre sua participação no UEADSL2016.2 com uma turma de alunos da Educação do Campo, da UFVJM. Com a anuência do professor, aproveito o ensejo do UEADSL2017.1 para publicar, dessa vez na íntegra, a entrevista concedida por Carlos Castro. Não sem antes acrescentar uma contextualização, de autoria da professora Thalita Santos Felício de Almeida. Ambos são membros ativos do Grupo Texto Livre.

 

Contextualização

O UEADSL – Congresso Nacional Universidade, Educação a Distância e Software Livre – Edição 2017/1 começou no dia 19 e vai até sexta, 23 de junho. O evento, que acontece inteiramente online em um blog, consiste em artigos publicados por alunos da graduação e da pós-graduação da UFMG. Os autores estão interagindo, durante essa semana, com colegas de turma, alunos e professores da UFMG, de outras instituições e a comunidade em geral. Quem desejar participar como ouvinte, aqueles que leem os trabalhos e comentam no blog, basta realizar o cadastro, que é gratuito, até o último dia do evento. A participação, mínimo três comentários em posts diferentes, garante um certificado.

O congresso, sincronizado com a perspectiva da ciência aberta e da cultura livre, é promovido pelo Grupo Texto Livre, sediado na FALE/UFMG, e conta com o apoio do CAED/UFMG. É fruto de um trabalho de escrita e reescrita orientada que ocorre no decorrer do semestre. Professores que, ao participar, integram a comissão científica do evento trazem seus alunos e orientam o processo de escrita do artigo, o qual é dividido em fases.  O primeiro passo é a elaboração do resumo e o último é o artigo pronto para o UEADSL, com publicação da versão finalíssima nos Anais do evento. O evento e suas etapas constituem, portanto, uma ferramenta didática que pode ser utilizada por professores interessados em adotar essa metodologia como uma forma de avaliar seus alunos e, mais importante do que isso, contribuir para o processo de letramento acadêmico da turma.

No semestre passado, Carlos Castro, professor da UFVJM e participante do UEADSL como professor desde 2011, desenvolveu com seus alunos do curso de Licenciatura em Educação do Campo as etapas de produção do artigo. O evento e esse contato inicial com a pesquisa constituíram uma oportunidade para a turma de realizar um trabalho de pesquisa e, no fim, interagir em um evento acadêmico. Embora sejam atividades comuns na academia, nem todos os alunos têm a chance de ingressar nesse caminho da pesquisa ou de participar de eventos presenciais, mais comuns na universidade. O UEADSL, portanto, é uma pequena amostra de como a pesquisa pode ser incentivada na própria sala de aula e de como a produção textual, o artigo final da disciplina, pode ser feito em um contexto real, ou seja, com autores conscientes de que o objetivo do trabalho é aprender um pouco mais sobre pesquisa, escrita e participar de um diálogo que garante a difusão do conhecimento produzido para além da sala de aula.

Leia, abaixo, a íntegra da entrevista realizada com o professor Carlos Castro sobre o .trabalho desenvolvido com a turma de alunos da UFVJM e a participação na edição 2016/2 do evento.

Entrevista

Jornalista: Desirée Antônio

  1. Desde quando você participa do UEADSL? Essa é a primeira vez que você traz uma turma para o evento? 

Participo desde 2011 que foi o ano que entrei para o grupo Texto Livre. Naquela época, eu coordenava mesas de estudantes que faziam uma disciplina de leitura e produção de texto na FALE/UFMG. O evento nasceu a partir dessa disciplina com a intenção de possibilitar um diálogo entre academia, já que os autores são acadêmicos, com a comunidade em geral. Trata-se de uma ideia presente em autores da educação e da linguística preocupados em produção textual em contextos reais, com leitores reais, e feedbacks também reais. O UEADSL atende a essa demanda ao colocar o estudante, produtor de textos diversos, em uma cadeia dialógica da vida real e a idealizadora do evento, a professora Ana Cristina Fricke Matte, soube colocar tais teorias em prática.

 

  1. Você leciona qual (quais) disciplina (s) para essa turma e por qual curso? 

Minha turma que participa do UEADSL 2016.2 faz Licenciatura em Educação do Campo na UFVJM, habilitação Linguagens e Códigos. Dou algumas disciplinas no curso, mas os artigos em debate no evento são fruto de uma pesquisa de cunho etnográfico promovida pela disciplina Gêneros Textuais e Discursivos.

 

  1. Como surgiu a ideia de levar toda a sua turma para o evento?

Com linguista aplicado que sou, acredito no propósito funcional da escrita para resultados mais efetivos em termos de letramentos. Então, colocar os estudantes em diálogos reais é um desafio que sempre me proponho. Como eu já conhecia o UEADSL e seu potencial para a interação, essa decisão não foi difícil.

 

  1. Quantos alunos tem a turma e qual o perfil deles? 

A turma tem 23 estudantes oriundos, sobretudo, de pequenas comunidades rurais dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri onde, às vezes, a Internet não chega. A oportunidade de participar, mesmo diante das dificuldades, foi dada a todos e o resultado foi a produção em co-autoria de 10 artigos dos quais selecionei os 7 apresentados no evento. Alguns dos estudantes já participam da realidade das escolas de suas comunidades como funcionários ou voluntários em projetos diversos como o PIBID, projetos de comunicação comunitária e produção de conteúdos para as comunidades, além dos estágios, uma vez que já estão no sétimo semestre de curso.

 

  1. Como a atividade foi proposta?

Como já comentado, o artigo é o passo final de um pequeno projeto que buscou fazer um levantamento das práticas de leitura e escrita das comunidades com foco nas práticas dos próprios estudantes-autores para, enfim, relatá-las. Para tanto, primeiramente, os estudantes fizeram autobiografias de letramentos que foram devidamente orientadas e revisadas, primeiro pelos colegas e depois por mim, e transformadas em um livro artesanal. A partir dessa coletânea de relatos, os estudantes foram encorajados, em uma perspectiva etnográfica, a encontrarem pontos relevantes, como pequenos pontos obscuros ou problemáticos, em seus processos de aprendizagem ou de outros sujeitos de suas comunidades e investigarem tais pontos. O resultado desse trabalho são os artigos apresentados no evento.

 

  1. Como eles puderam se organizar? Eles puderam optar por escrever artigos individualmente ou em grupo? 

A organização foi proposta em sala e puderam escolher se analisariam suas próprias experiências ou de outros sujeitos do campo, sempre a partir de experiências vivenciadas e acessíveis para pesquisa. De acordo com as decisões sobre o que analisariam, alguns com objetos comuns ou parecidos prefiram se unir em até três autores, que era uma limitação do próprio evento, mas que eu acredito que ainda se produtivo trabalho em co-autoria. A partir daí, produziram algumas versões dos textos sempre tendo em vista o propósito funcional da atividade e o processo editorial que todo texto escrito a ser publicado em um evento como este está sujeito. A versão final não é uma versão perfeita em termos normativos e até mesmo metodológicos, mas podem ter certeza que evoluíram muito no processo.

 

  1. Qual foi a reação dos alunos com ideia da atividade?

Uma atividade com propósito funcional com esta sempre provoca duas reações facilmente perceptíveis e com essa turma não foi diferente. Uns se empolgam e querem fazer rapidamente e outros ficam com medo das críticas. Também houve uns poucos desmotivados, mas são aqueles que apostam no esforço mínimo para seguir no curso e dessa vez só tive dois estudantes que nem tentaram.

 

  1. Como foi a dinâmica do seu acompanhamento ao trabalho deles? Houve orientações específicas além daqueles dadas pelos corretores do UEADSL? 

Os corretores do UEADSL somos nós, os professores. Não existe essa desconexão, sugerida pela pergunta, entre o professor e o evento. O evento só pode funcionar se o professor topar o trabalho de avaliação continuada e orientação. O mérito do evento não é substituir o professor nesse trabalho, mas oferecer um espaço de interação real, com autores e leitores que realmente trocam e (re)constroem significados por meio do debate público. Pela audiência e produção textual – não só de artigos, mas também de comentários, não podemos negar o sucesso do evento naquilo que ele se propõe.

 

  1. Qual a sua avaliação do desempenho deles?

Até o momento, com o evento ainda em andamento, posso adiantar que os estudantes estão bastante engajados e relatam aprendizagens diversas como a apresentação nesse tipo de evento, o debate acadêmico no espaço público, a evolução no desenvolvimento de pesquisas – e isso inclui questões metodológicas e formais-, dentre outros. Talvez o engajamento de todos não seja facilmente percebido por meio das postagens tendo em vista que no primeiro dia das apresentações dos meus estudantes nem todas as perguntas feitas estejam respondias. Contudo, devo salientar que, na grande maioria, tratam-se de cidadãos do campo que têm que se mover até a cidade mais próxima para acessarem a internet e participarem do evento.

 

  1. Que tipo de contribuição esse tipo de evento pode dar à formação deles?

O evento contribui para letramentos diversos. Quando falo em letramentos, me refiro à capacidade de lidar com práticas de leitura e escrita socialmente relevantes. Dentre essas práticas, a participação em um evento acadêmico, oportunidade dada a poucos graduandos, já contribui com a formação dos estudantes. O debate de ideias com produção argumentava a partir de uma tese/tema também é uma outra habilidade importante para o profissional de nível superior que estamos formando. Não menos importante, a escrita acadêmica e o uso de ferramentas digitais para esta produção também são de extrema importância no mundo mediado por tais ferramentas. Numa análise parcial e antecipada dos resultados, me parece justo elencar tais práticas, mas não limito a elas tendo em vista que não fiz nenhuma avaliação aprofundada dos resultados ainda, já que o evento ainda está em andamento.

13 de fevereiro de 2017