Relato do encontro nacional do grupo de trabalho – dia 7

Em 07/06/2013, mais de 70 pessoas entre pesquisadores, estudantes, funcionários da universidade e cidadãos interessados compareceram ao Encontro pelo Conhecimento Livre, encontro nacional para divulgar e consolidar a formação do grupo de trabalho em Ciência Aberta, que contou também com cerca de 150 acessos ao vivo pela IPTV da USP, onde foi realizado.

Segue abaixo um relato das apresentações, na sua ordem cronológica. Vídeos de todas as sessões estão disponíveis no post Vídeos do encontro nacional do grupo de trabalho – 2013.

Participantes no intervalo

Educação aberta

Debora Sebriam (REA-BR) falou sobre projetos que testemunham a adoção crescente de Recursos Educacionais Abertos pela sociedade e em instituições de ensino, a formação da comunidade “REA-BR” no Brasil e o trajeto de algumas políticas públicas, inclusive o veto do governador Alckmin, em São Paulo, ao projeto de lei aprovado pela assembléia.

Tel Amiel (Unicamp) abordou a questão mais ampla de Educação Aberta, de experiências diversas de experimentação que ganham visibilidade na atual onda de Cursos Online Massivos (MOOCs).

Ferramentas científicas abertas

Rafael Pezzi (UFRGS) apresentou iniciativas de hardware científico aberto, partindo da sua experiência no Centro de Tecnologia Acadêmica IF-UFRGS que incluem o desenvolvimento de sistemas para monitoramento ambiental.

Fabio Kon (CCSL/IME-USP) abordou a questão de Software Livre científico e como o Centro de Competência em Software Livre da USP tem apoiado projetos e promovido colaborações entre áreas.

Daniel Tavares (LNLS) por videoconferência de Campinas mostrou a iniciativa de hardware aberto do grupo que integra no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron produzindo placas de aquisição de dados de altíssima performance, como ela pode beneficiar outras pesquisas, e sua inspiração e o apoio da iniciativa de open hardware do CERN.

2013-06-07 12.02.06

Acesso aberto

Cameron Neylon (PLOS) falou por videoconferência, de Londres, sobre a experiência da PLOS, uma das maiores revistas de acesso aberto da atualidade, ressaltando seu interesse no potencial de outras formas de abertura da comunicação científica ainda mais radicais e inovadoras.

Sueli Ferreira (USP) comentou sobre o esforço para a criação dos repositórios institucionais com uso de metadados, a importância das instituições assumirem a guarda de sua produção, algumas propostas de mandatos institucionais, como a da FAPESP, e o quanto a colaboração entre as universidades paulistas nesse esforço será vantajosa.

Marcos C. Visoli (Embrapa) relatou iniciativas da Embrapa para estruturar e facilitar o acesso de pesquisadores e produtores a publicações e informações agropecuárias ou associadas à atividade, como também o uso e produção de software livre por essa empresa pública.

Ciência cidadã

Atila Iamarino (Science Blogs Brasil) relatou sua experiência como cientista e blogueiro, o papel que os blogs científicos vem adquirindo na sociedade e sua importância para a comunidade acadêmica, promovendo discussões mais aprofundadas sobre trabalhos científicos, servindo como mais um crivo de relevância, expondo casos de fraude e questionando também fatores políticos e econômicos da ciência.

Artur Rozestraten (USP) apresentou o projeto Arquigrafia, um ambiente interativo para compartilhamento, experiência e diálogo sobre imagens arquitetônicas, com uma extensão móvel. Nele, além do arquivo fotográfico da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, que vem ali sendo disponibilizado online, também professores, alunos e entusiastas contribuem com suas coleções particulares ou mesmo imagens tiradas do celular.

Eduardo Oda (GHC) contou sobre os hackerspaces e o Garoa Hacker Clube, seu papel em proporcionar oportunidades de aprendizado sobre ciência e tecnologia para todas as idades, engajar cidadãos em discussões científicas, e convidou todos a frequentarem o espaço.

Dados científicos abertos

Henrique Andrade (Wikimedia Foundation) falou, do Rio de Janeiro por videoconferênca, sobre como são abertos os dados da Wikipédia e os meios técnicos para acesso à base. Por essa abertura, ela tem sido estudada não apenas para entender a própria enciclopédia, mas utilizada para pesquisa científica da linguística à sociologia, economia e biologia.

Jorge Machado (USP) comentou sua experiência em pedir a liberação de dados pelo governo utilizando a Lei de acesso à informação (ou Lei 12.527/2011). Foi dado ênfase no classificação dos periódicos pela CAPES e das informações da plataforma Lattes.

Ewout ter Haar (USP) trouxe a complexa questão do balanço entre dados abertos e privacidade (slides), em particular no caso da ciência, e envolveu todos numa discussão urgente, deixando clara a necessidade de aprofundá-la.

Robson Souza (USP) expôs o progresso do acesso aos dados no campo da biologia molecular e bioinformática, que historicamente investiu em repositórios púbicos de dados que permitiram revolucionar suas práticas e o conhecimento na área.

Wikipesquisas

Alexandre Hannud Abdo (USP) abordou experiências com formas mais integrais de ciência aberta. Duas foram discutidas. Cadernos de pesquisa públicos permitindo a verificação e o aprendizado a partir da trajetória completa de uma pesquisa. E colaborações científicas massivas, de matemática à medicina, que usam blogs e wikis para engajar produtivamente num mesmo problema de pesquisa centenas de pessoas com qualificações diversas, sem distinção de acesso.

Abdo abrindo o encontro

Segundo dia e apoio

O encontro ainda teve um segundo dia, em 08/06, com workshops na Casa Nexo, que relataremos posteriormente.

Foi realizado com apoio da Wikimedia Foundation, Open Knowledge Foundation, vários grupos de pesquisa, o auditório cedido pelo Instituto de Física da USP e divulgação pela Agência de notícias da FAPESP.

Esse relato foi inspirado e recombinou o post no blog do Raniere.

Ver também

Um dos facilitadores do grupo e pesquisador no laboratório LISIS-IFRIS em Paris, desenvolveu pesquisas na FMUSP, Fiocruz, Columbia University e IFUSP. Também é um cavaleiro que diz... Ni!

Publicado em Acesso Aberto, Anúncios do grupo, Ciência Cidadã, Dados abertos, Educação aberta, Encontros, Genéricos, Práticas exemplares, Wikipesquisas
Um comentário sobre “Relato do encontro nacional do grupo de trabalho – dia 7
  1. Angélica Maria de Vasconcelos Cintra disse:

    BOA TARDE

    GOSTARIA DE MAIORES DETALHES E VALIDAÇÃO DE CURSOS EM CIÊNCIAS ABERTAS E CURSOS ONLINES.
    MOOC andei acessando também,ainda não cursei devido à dificuldade de acesso à informática em horas vagas.
    Só acesso algumas vezes o computador no ambiente de trabalho.
    Cursos são válidos em termos de aprendizado,no entanto não sei se os mesmos são válidos afins de curriculum lattes e experiência de trabalho.
    Realmente curto e sou motivada estar sempre aprendendo e me atualizando.
    PROGRAMAS DE MESTRADO E DOUTORADOS UM BOM GUIA. COMO REAVALIAR O QUE ESTUDEI E VOLTAR AS INSTITUIÇÕES.
    Mestrado estava em ciências e tecnologia de alementos ,minha intenção era somente ser preparada metrológicamente em um laboratório de pesquisa e escrever uma dissertação de mestrado.
    Bom meu foco era microbiologia,e em ciências abertas no laboratório onde trabalho temos vários temas e temos sempre que estar nos atualizando.
    Muito obrigada

5 Pings/Trackbacks para "Relato do encontro nacional do grupo de trabalho – dia 7"
  1. […] Continue lendo em Ciência Aberta. […]

  2. […] é bastante significativo que neste ano tivemos, além da formação deste próprio grupo de trabalho, o estabelecimento de instituições dedicadas a estudar e avançar tendências da ciência aberta […]

  3. […] Para uma descrição resumida do que foi o encontro, quem eram os palestrantes e o que cada um apresentou, vejam o post Relato do encontro nacional do grupo de trabalho – dia 7. […]

  4. […] pra ir pessoalmente, fiquei aguardando um streaming ou a postagem de vídeos. Primeiro, surgiu um relato breve do que havia rolado. Depois, os vídeos foram […]

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